Economia & Negócios

Bancários mantêm filiação à CUT

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região vai permanecer filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A decisão foi tomada ontem à noite, depois de votação aberta realizada na sede da entidade, da qual participaram 139 associados. No total, foram 81 votos a favor da manutenção da filiação e 58 contrários.

O resultado vai contra a posição da diretoria do sindicato que, em reportagem publicada anteontem pelo Jornal da Cidade, pregava a desfiliação.

Um dos diretores da entidade, Marcos Silvestre, que defendia a desfiliação, acredita que o resultado da votação reflete um certo temor dos bancários. “Na minha opinião, criou-se uma falsa expectativa de que o sindicato ficaria isolado se houvesse o rompimento”, salienta.

Ele destaca que a maioria da diretoria vai manter as declarações contrárias à CUT. “A nossa posição não muda: continuamos achando que a CUT é governista.”

Silvestre explica que a decisão da maioria será respeitada e que, num momento oportuno, o debate pela desfiliação poderá ser retomado. “Agora vamos entrar em ritmo de campanha salarial, mas quando a reforma sindical estiver tramitando, pode ser que haja uma discussão nesse sentido novamente. Mas isso é um posicionamento pessoal meu”, frisa.

Para Roberto Machini, também da diretoria, mas que apoiava a continuidade da ligação com a central, o resultado da assembléia não significa um “cheque em branco” passado à CUT. “Nós temos a consciência sobre as correntes contraditórias da central, mas queremos nos manter filiados para fortalecer nosso movimento”, ressalta.

Segundo ele, a central também vive uma dualidade: enquanto a diretoria estaria fechada com o governo na questão da reforma sindical, a base estaria se posicionando contra.

Machini admite que essa votação reflete uma situação contraditória dentro do Sindicato dos Bancários. “Confunde um pouco, pois a diretoria teoricamente reflete a entidade como um todo”, destaca.

Voto aberto

A discussão em torno da desfiliação nasceu do descontentamento da diretoria do Sindicato dos Bancários com relação ao posicionamento adotado pela CUT em determinadas situações. Os representantes da entidade acusam a central de governista por apoiar a política do governo Lula.

O pensamento foi apoiado por 58 associados que participaram da assembléia. Eles se manifestaram favorável ao rompimento com a central, o que foi considerado um número significativo por Machini. “Não dá para desprezar essa opinião, mas o que ganhou foi o conjunto da assembléia.”

A reunião durou aproximadamente duas horas e a votação foi aberta, ou seja, os participantes manifestaram sua posição levantando a mão.

Estiveram presentes Júlio Turra, representante da direção nacional da CUT, e Dirceu Travesso, licenciado da direção estadual da central.

Além da discussão sobre a desfiliação, os bancários votaram o apoio à reforma sindical. De acordo com Silvestre, a proposta foi rejeitada por unanimidade pelos presentes.

O que diz a CUT

O coordenador da sub-sede da CUT em Bauru, Francisco Wagner Monteiro, diz que considera acertada a decisão dos bancários em permanecerem filiados à central. “A classe só sobrevive se permanecer unida”, defende.

Ele diz que, por mais que se critique a CUT, para os trabalhadores a manutenção da parceria ajuda na hora das negociações. “A posição da CUT é um reflexo da sociedade”, frisa.

Ele criticou a maneira como a reforma sindical foi debatida entre os bancários. Segundo ele, não foram esclarecidos os principais pontos da proposta. “A diretoria do sindicato não está divulgando de forma aberta essa questão, por isso, os trabalhadores ainda se posicionam contrários a ela”, frisa.

O coordenador da CUT afirma que a manutenção da classe sindical da maneira como está só vai trazer prejuízo aos trabalhadores. “Só em Bauru, 10% dos sindicatos são cartorários, ou seja, não têm atuação e apenas se aproveitam das contribuições dos trabalhadores”, frisa.

Favorável à reforma, ele acredita que a proposta vai democratizar o segmento sindical. “Existem pontos negativos na reforma, mas eles precisam ser debatidos e melhorados, e não negados.”

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