Política

Sindicato distribui bananas em ato de protesto contra o prefeito

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Um ato público organizado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) ontem, em frente a uma agência bancária no Centro de Bauru, foi a estratégia utilizada pelos sindicalistas para pressionar a prefeitura a negociar o reajuste salarial ao funcionalismo. Tendo como símbolo a banana, a entidade distribuiu a fruta para quem saía de um banco, na quadra 3 da rua Virgílio Malta, no Centro.

“O ato que estamos fazendo hoje (ontem) é para demonstrar a revolta do servidor com esse pouco caso da administração. O prefeito deu uma banana para os servidores, enquanto deu quase 18% de aumento para água e 8% para o IPTU. Para servidor pede prazo?”, critica Idelma Corral, diretora do Sinserm.

As bananas causaram o impacto inicial pretendido pelo sindicato. Muitos dos clientes que saíam da agência bancária ouviram as explicações e, além das bananas, levaram um panfleto abordando sobre a atitude.

Vanda Terezinha Geraldo aprovou a forma da manifestação e aproveitou para emendar o fato pontual da manifestação sindical com seu desagrado em relação à atual gestão. “Eu votei nele mas me arrependo. Nota mil (para as bananas). Tenho parentes na prefeitura que reclamam e ele (Tuga Angerami) não fez nada até agora.”

Jucicleide Vasconcellos também apoiou a maneira como o sindicato expôs suas reivindicações. “Falta respeito com o servidor.”

O Sinserm reivindica um reajuste salarial de 11,66%, R$ 130,00 a serem incorporados no salário-base e R$ 200,00 de vale-compra. A data-base dos servidores foi dia 15 de março, quando a prefeitura solicitou prazo de 120 dias para negociar. O sindicato deu 30 dias para que a administração apresentasse uma proposta. Como o prazo venceu sem a fixação do índice de reposição, uma assembléia aprovou o estado de greve.

Como em recentes declarações da prefeitura, ontem o chefe de Gabinete do governo, Paulo Sérgio Canalli, manteve a posição em relação a fixar uma data para discutir o tema reajuste salarial para o funcionalismo. Canalli foi categórico em afirmar que não é possível discutir reajuste sem contar com novas receitas que viriam do Refinanciamento Fiscal (Refis) e da revisão da planta do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). “Precisamos que a receita do município seja revista por completo. Isso só será possível mensurar por volta de meados de julho.”

O Sinserm não está disposto a esperar o prazo pretendido pela administração municipal e programou, durante o período, uma série de atos quinzenais para obrigar a prefeitura a negociar. A diretora do Sinserm Idelma Corral explica que a definição das próximas datas para as manifestações vai seguir um roteiro apelativo. A escolha do dia de ontem, por exemplo, se deu pelo momento de recebimento de salários pelo funcionalismo.

Canalli descarta qualquer vinculação do pedido de prazo a um comportamento da administração municipal desqualificando seus funcionários. “A gente espera que o servidor também nos ajude nesse momento dificílimo que estamos atravessando”, solicita Canalli.

Para amenizar as críticas do Sinserm, o prefeito atendeu ontem algumas das reivindicações do sindicato da categoria. Tuga autorizou a abertura de concurso público para a contratação de um médico do trabalho, um enfermeiro do trabalho, um engenheiro de segurança e um técnico de segurança do trabalho. Canalli ressalta que ao saldar dívidas nos últimos três meses a administração tem recuperado benefícios importantes para os servidores, como convênios.

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