Tribuna do Leitor

Poder


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É comum entre a grande maioria dos políticos que eles nutrem a respeito de si mesmo uma opinião acima de seus méritos. O poder sobe a muitas cabeças, o que os induz à prática da “carteirada”, ou seja, consiste em exibir o documento comprobatório de sua autoridade e costumam-se indagar: “Você sabe com quem está falando?”. Fugir à grandeza e submeter-se a missão que Deus os colocou diante da sociedade é raro entre a classe política. Certo é o desapego ao poder, trata-se de uma ascese quase que inexistente entre os políticos.

Outro fato significativo é como eles se submetem a situações ridículas à caça de votos em épocas de pleitos eleitorais. Em busca do poder, tais políticos transformam-se em verdadeiros mestres na arte do ilusionismo, mostram-se idealistas de um mundo mais justo, afirmam ser transparentes e pacificadores, dizem que mudará o que está errado, entre outros. Certo é que, em política, como frisei acima, com rara exceção, a construção da imagem de candidatos se faz segundo as regras clássicas da falsidade e da demagogia.

O demagogo tem por premissa fingir ser o que esperamos, em vez de assumir a sua própria identidade. De modo que, em se tratando de eleição, só nos resta o universo da mentira por excelência. A verdade é que política pública, tornou-se uma “herança maldita” e que vai além de suas conseqüências econômicas e administrativas. Esta maldição se perpetua, independentemente de mandatos passageiros, porque seus arautos jamais foram derrotados, apenas descasam, aguardando o momento certo para agir.

Existem algumas máximas e que são imprescindíveis na campanha a cargos públicos: trabalharei incessantemente, se necessário até 25 horas por dia... Meu lema é honestidade e trabalho... Minha atuação será transparente... Meu povo não pode mais ser enganado... Saúde e educação serão prioridade... e etc. Uma pergunta que fica no ar e que não deve ser ignorada, quem de fato elege um agente público? - Os ricos são a minoria, por outro lado, os chamados proletariados são a maioria. Então pergunto-lhes: Por que os trabalhadores, em sua grande maioria, vivem oprimidos e praticamente abandonados? Não são eles que fazem a diferença nas urnas? Só nos resta uma explicação palpável e real: o povo elege, mas quem escolhe é o sistema, ou seja, o poder econômico.

Caro leitores e todos que já não suportam mais tantas mentiras, oriundas do capitalismo moderno e do atual modelo político. Considerando que ambos caminham juntos, quando iremos criar coragem e assumir nosso verdadeiro papel na chamada cidadania? Quando?

Defender a tese de que as nossas vidas independem das atividades dos políticos é um equívoco inconcebível. Tal pensamento é retrogrado, é exatamente por este tipo de pensamento que os hipócritas e demagogos sempre estão no poder. Você não acha que já está na hora de mudar este paradigma político?

Caros amigos, leitores desta coluna, sugiro a todos uma reflexão mais profunda no que tange nosso papel no contexto político, enquanto cidadãos.

Vanderlei Aparecido Tomiati - servidor público municipal de Bauru - RG 18.682.530-04 SSP-SP

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