Integrar efetivamente o deficiente físico ao trabalho é um desafio muito mais amplo do que os problemas de acessibilidade que impedem a livre circulação dessas pessoas. Os fundadores da Cooperativa Social de Trabalhadores Especiais de Bauru (Coopesb) se confrontam com esse problema há dois anos, desde quando a instituição foi criada.
Apenas há 20 dias é que os 22 cooperados conseguiram se lançar no concorrido mundo do empreendedorismo. Receberam sua primeira encomenda de prestação de serviço de uma indústria.
O cooperado Paulo Sérgio Alves Uessugui explica que a empresa enviou um pedido para montagem de coletores eletrônicos. Contando com uma estrutura básica, os deficientes ainda não estão absorvendo toda a demanda de produção gerada pela indústria. A infra-estrutura é bancada pela iniciativa dos cooperados. Para prestar os serviços, os empreendedores receberam uma semana de treinamento com o técnico da indústria.
Uessugui comenta que, além de gerar trabalho, a empresa cooperativada atua para tirar o deficiente de casa. Ele cita o caso de um rapaz do Parque Jaraguá que convive com limitações de locomoção. A Coopesb articula a conquista de uma cadeira de rodas para ele, o que já integraria mais uma pessoa ao grupo apenas facilitando sua mobilidade.
Mover-se pela cidade já é uma barreira arquitetônica de difícil superação, mas os cooperados são persistentes. Eles chegaram a pensar em desistir de ter um negócio próprio. Entretanto, descobriram nas exigências do mercado de trabalho obstáculo muito maior do que guias não rebaixadas. Uessugui acrescenta que parte dos deficientes já está excluída pelos perfis de experiência profissional e formação educacional cobrados pelas empresas.
Edevair Magalhães, 44 anos, que já passou pela Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri), encontrou no modelo cooperativo a alternativa de trabalho. Conforme ele, é insuficiente o número de vagas na fatia do mercado de trabalho reservada para deficientes.
A mistura de diferentes portadores de deficiência poderia ser uma limitação. Porém, os cooperados, que até 20 dias atrás não conviviam, já aprenderam a superar esse obstáculo. A surda-muda Elis Regina Gonçalves de Oliveira, 20 anos, está totalmente integrada ao ambiente apesar do grupo não dominar a linguagem dos sinais. A comunicação com os colegas ainda não flui com naturalidade, mas sua produção não é prejudicada.
Por enquanto, o que é arrecadado pela Coopesb mantém a estrutura da cooperativa, como o aluguel do imóvel. O cooperado ganha por dia de trabalho e produtividade. José Marcos Santos da Silva, 22 anos, diz que já teve outras atividades profissionais, mas agora é hora de apostar na cooperativa.
Marcelina Amaro Olímpio, 23 anos, comenta que é a sua primeira oportunidade de trabalho e vê como boa opção. Ela não desanima pelo fato de, inicialmente, não ter bons ganhos. “Está começando”, projeta.
Uessugui conta que a proposta é ampliar e para isso a cooperativa busca parcerias e se apresenta no mercado para atender no segmento de prestação de serviços.
• Serviço
A Coopesb está aberta a quem estiver interessado em conhecer suas atividades e ajudar para que a proposta deslanche. A cooperativa fica na rua Coronel Alves Seabra, 3-85, telefone (14) 3234-2352.