Ser

Divórcio dos amigos

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Pertencentes ao mesmo círculo de amigos, Luciana costumava trocar confidências e sair aos finais de semana na companhia de Carla* e Fernando*, que estavam juntos há mais de cinco anos. Recentemente o casal se separou e Luciana, embora continue amiga dos ex-cônjuges, não os vê com tanta freqüência e a convivência com um deles corre o risco de esfriar.

Apesar de trazer nomes fictícios, a história é real e reflete uma situação cada vez mais comum nos dias de hoje: como lidar com o divórcio de um casal amigo. Num ambiente que na maioria das vezes é de sofrimento e mágoas envolvendo ex-maridos, ex-mulheres ou ainda ex-namorados, como fica a situação da pessoa que costumava compartilhar a amizade dos ex-cônjuges?

A psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano explica que após o divórcio a tendência é de que o casal que se separou, embora sem querer, exija do amigo uma certa fidelidade, mais ou menos como se o obrigasse a tomar partido ou escolher “do lado de quem” ele está. “Parece que quando o casal se divide, todo mundo tem que se dividir também. É uma questão de fidelidade que não tem nada a ver. Não é porque a pessoa é amiga do ex-marido, por exemplo, que não pode ser amiga também da ex-mulher”, observa.

“Mas são momentos difíceis para o casal e também para os amigos. O amigo pode ficar na dúvida, pensando quem ele vai ‘trair’: a Maria ou o João? Se ele ficar mais próximo do João, a Maria poderá ficar triste e vice-versa”, explica Ana Cássia.

Essa delicada situação é vivida pela estudante Luciana Martins, amiga de longa data de Carla e Fernando (os ex-namorados cuja história foi descrita anteriormente), ela conheceu Fernando por meio do seu namorado. Logo se tornou confidente de Carla. Muito amigos, os dois casais costumavam se encontrar duas ou três vezes por semana, na maioria das vezes para se divertir em bares ou restaurantes da cidade.

Depois da separação de Carla e Fernando, ocorrida há poucos meses, a amizade da estudante com os ex-cônjuges ficou abalada. “Perdi bastante o contato sem querer. Acho que nós tínhamos mais proximidade por estar sempre os quatro juntos. Agora não tem como ver um deles se o outro estiver presente”, lamenta.

“Tento conviver com os dois, mas, por exemplo, se meu namorado combina de sair e chama o Fernando e ele levar uma menina, como vou chamar a Carla? E a mesma coisa no caso dela, e se ela levar alguém com quem está saindo? É uma situação desagradável. Além disso, os programas são diferentes. Agora ela prefere uma balada”, explica Luciana.

Para manter a amizade, a estudante apela para as ligações telefônicas. Além disso, procura rever Carla e Fernando em dias diferentes. “Costumo ligar para ela, já que encontro Fernando com um pouco mais de freqüência. Mas nem sempre dá certo”, frisa.

* Os nomes foram trocados para preservar a intimidade dos personagens envolvidos.

Comentários

Comentários