Bauru enfrenta quase todas as formas de degradação ambiental indicadas em pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 18 tipos - que incluem por exemplo queimadas, esgoto sem tratamento e contaminação de nascente - 16 foram confirmados na cidade por meio de questionário respondido em 2002 pela prefeitura (veja abaixo).
No entanto, o conteúdo do estudo, realizado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, só não é pior porque Bauru dispõe de instrumentos para melhorar a gestão ambiental. Além disso, a condição do meio ambiente no município é melhor se comparada a outras cidades do mesmo porte. A avaliação é unânime entre autoridades no assunto consultados pela reportagem.
“Se a gente não tomar cuidado a situação pode se tornar crítica, mas Bauru está muito melhor (que outras cidades de porte semelhante). Nós temos uma cultura ambiental melhor, o que envolve principalmente a sociedade civil organizada. Ela se mobiliza em organizações não-governamentais, universidades e Ministério Público”, diz o titular da Secretaria do Meio Ambiente, Carlos Barbieri.
Além disso, Bauru pode ser considerada privilegiada por dispor de código ambiental e plano diretor, acrescenta a coordenadora de apoio institucional do Instituto Ambiental Vidágua, Ivy Wiens.
“Tem muitos municípios no Brasil que não dispõem de plano diretor. A gente já está revendo um de 96. Estamos um passo adiante. Mas temos de tentar trabalhar com conceito de desenvolvimento sustentável, porque o desenvolvimento econômico depende de um equilíbrio com a questão ambiental e social”, afirma ela. Na opinião de Wiens, os apontamentos do IBGE têm relação direta com o desenvolvimento do município.
“Isso é uma conseqüência natural de cidades de portes médio e grande. É resultado do descontrole do crescimento. Não é privilégio de Bauru”, reitera o promotor do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Sciuli de Castro. Para melhorar, os problemas da cidade são pontuais e não crônicos, informa Rogério Chini, diretor da Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb).
Ele aponta duas questões como mais preocupantes em relação à degradação do meio ambiente em Bauru: as queimadas e o esgoto despejado nos córregos.
Para Sciuli, o fato de Bauru não ter tratamento de esgoto também é um dos fatores que mais pesa para a avaliação ambiental negativa da cidade. Já na opinião de Barbieri, a destinação de resíduos sólidos tornou-se o problema mais sério porque o lixo depositado em áreas clandestinas afeta diretamente a saúde pública, provocando doenças como dengue e leishmaniose.
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Problemas ambientais
• Afetaram condições de vida
- Contaminação de nascente
- Contaminação de rio, baía, etc.
- Contaminação de recurso solo
- Desmatamento
- Escassez de água
- Inundação
- Doença endêmica
- Ocupação desordenada do território
- Poluição do ar
- Poluição sonora
- Presença de lixão
- Presença de vetor
- Esgoto céu aberto
- Queimadas
- Redução do estoque pesqueiro
- Tráfego pesado área urbana
• Não afetaram
- Deslizamento de encosta
- Outras alterações ambientais relevantes nos últimos 2 anos
• O que polui a água
- Criação de animais
- Despejo resíduos industriais
- Despejo esgoto doméstico
- Ocupação irregular curso d'água
- Ocupação irregular áreas de lençóis subterrâneos
- Por uso de agrotóxico ou fertilizante
• O que polui o ar
- Atividade industrial
- Mineração
- Queimadas
- Vias não pavimentadas
• O que polui o solo
- Atividade pecuária
- Chorume
- Sumidouros
- Resíduos tóxicos e/ou metais pesados
Fonte: IBGE, Perfil dos Municípios Brasileiros - Meio Ambiente 2002