A Assembléia Legislativa (AL) aprovou, ontem à tarde, a desestatização da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), que em Bauru tem uma unidade operacional com cerca de 500 funcionários. Para o Sindicato dos Eletricitários (Sinergia), agora a empresa está a um passo da privatização, o que poderá resultar em demissões e prejuízos para Bauru. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que votou favorável à desestatização, defende que a medida é uma alternativa encontrada pelo governo para tentar sanear as dívidas da Companhia Energética e São Paulo (Cesp).
A votação transcorreu com a galeria lotada de manifestantes contrários à desestatização. Cerca de 40 pessoas de Bauru, entre funcionários da Cteep e sindicalistas, acompanharam a discussão dos deputados, mas não conseguiram barrar a aprovação do projeto de lei que inclui a empresa no Projeto Estadual de Desestatização. Foram 66 votos a favor e 23 contrários.
Jesus Garcia, vice-presidente do Sinergia, afirma que, se a Cteep for vendida para a iniciativa privada, certamente será reestruturada e haverá demissões. “Virão demissões, terceirizações e centralização de comandos, como aconteceu com a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz). E quem pagará por isso será a população, que vai arcar com taxas mais altas”, argumenta.
De imediato, a preocupação do Sinergia é garantir o emprego dos funcionários da Cteep - cerca de 2.800 em todo Estado - e os direitos trabalhistas. Mas Garcia diz que o sindicato ainda vai lutar contra a privatização. “Vamos correr atrás dos nossos direitos trabalhistas, de manutenção de emprego e benefícios, e traçar um plano de ação. Vamos fazer manifestações e cobrar o deputado Pedro Tobias pelo que ocorrer. Cadê o dinheiro das outras privatizações?”, questiona.
Tobias defende-se. “A Cteep é uma empresa lucrativa e não será vendida se o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) rolar a dívida da Cesp. Mas se não conseguir rolar a dívida, o governo vai colocar a Cteep na negociação”, afirma ele, frisando que o dinheiro de privatizações feitas pelo governo do PSDB foi usado para pagar dívidas.
O deputado admite que se a empresa for privatizada poderá haver demissões, mas garante que é uma alternativa encontrada pelo governo estadual para sanear a Cesp, que deve cerca de R$ 10 milhões para o mercado financeiro. Mas Tobias discorda de Garcia, de que a eventual privatização da Cteep causará prejuízos à cidade. “Bauru não perde nada. A CPFL foi privatizada e continua funcionando”, sustenta.
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Tumulto
A sessão da Assembléia Legislativa (AL) que aprovou a desestatização da Cteep foi tumultuada, de acordo com Francisco Wagner Monteiro, diretor do Departamento Jurídico do Sindicato dos Eletricitários e coordenador da regional Bauru da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ele conta que os presentes na galeria foram revistados pela Polícia Militar e um dirigente do sindicato foi ameaçado de prisão.
A acusação que pesou sobre ele é que estaria planejando jogar moedas de R$ 0,1 nos deputados para obstruir a votação. Monteiro afirma que a acusação não tem fundamento e que teria sido feita para intimidar os contrários à desestatização da Cteep.