PRODUTIVIDADE ZERO
â€œÉ preciso que as instituições políticas sejam julgadas pelo bem e o mal que fazem aos indivíduos.†(Bertrand Russell).
Enquanto o nosso país padece de soluções para seus inúmeros problemas estruturais, políticos e organizacionais, assistimos as nossas Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas e o Congresso Nacional caminharem num imenso deserto de idéias e ações concretas para ajudarem o país a sair do estado de inércia em que se encontra.
A remuneração direta e os benefícios indiretos dos políticos dessas casas beiram o infame. além dos gastos desproporcionais com assessores e demais funcionários de toda ordem, para uma produtividade que está muito aquém de zero. Desde o município onde resido até Brasília, no Congresso Nacional, não existe nada sendo feito para minorar o sofrimento do nosso povo, que não é pouco, se diga de passagem.
Nossos representantes estão preocupados apenas com a sobrevivência de seus partidos, seus familiares e nada mais além do horizonte das janelas de seus suntuosos gabinetes impenetráveis. É um acinte a forma como nossos homens públicos tratam questões cruciais como a reforma agrária, a reforma política, os projetos educacionais e a questão da previdência.
Ao invés de discutirem idéias e soluções para os problemas, nossos representantes querem saber quem vai ocupar os cargos e qual a verba orçamentária daquela pasta. As trocas de ministérios e secretarias em nosso país nunca se restringem a qualidade técnica dos candidatos e sim a qual partido pertence e qual o seu “QI.†(Quem o indicou).
A Câmara Municipal da maior cidade brasileira está parada desde o período que antecedeu as eleições municipais em outubro/2004, enquanto a cidade enfrenta problemas de enchentes, congestionamentos, alta criminalidade, sujeira, poluição visual, falta de fiscalização e muitas outras coisas que não caberiam nessa lista. A remuneração é digna de marajás da antiga Índia mas a produtividade aliada à desfaçatez é zero.
Estamos caminhando a passos largos para os tempos do Império Romano, onde os governantes serviam apenas para cobrar tributos da sociedade. Hoje vemos prefeitos, governadores e o presidente da república preocupados única e exclusivamente em aumentar receitas oriundas da escorchante cobrança de impostos e tributos da população economicamente ativa. São imperadores que não constroem um km de estradas, não investem em modernização nem conseguem efetuar o desenvolvimento necessário para a geração de empregos e riquezas. E os políticos assistem a tudo de camarote junto com seus familiares que são contratados para acompanha-los nessa árdua tarefa de enganar o povo.
Quando um projeto de interesse da população é enviado para alguma dessas casas percebemos que não existem lobbies a favor do povo, sempre ocorre o contrário. Quando é para privatizar ou causar desempregos por exemplo, os políticos da chamada base governistas votam às escuras a favor do “chefe†(prefeito, governador ou presidente), independentemente das conseqüências que aquele projeto irá trazer para a população interessada direta ou indiretamente.
Nesse imenso deserto de produtividade e decência nós somos os beduínos que sobrevivem sob o sol escaldante tratados a pão e água, preferencialmente em bebedouro, distante aos olhos de nossos pedantes representantes. (Rafael Moia Filho)