A figura do tradicional inspetor de aluno está desaparecendo das escolas da rede estadual em Bauru. O déficit desses profissionais e de serventes tem gerado uma grande insatisfação entre os diretores das escolas, que reclamam do fato do corpo de funcionários dos estabelecimentos de ensino acumular vários papéis.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação, não há previsão para abertura de concurso público para contratação de inspetores de alunos e serventes.
Em Bauru, menos de 50% das escolas enfrentariam o problema, segundo a dirigente regional de ensino de Bauru, Vera Nilce Lüdke Jarussi. Na opinião dela, a contratação de mão-de-obra com verba do Fundo de Desenvolvimento Educacional (FDE), enviado pelo governo do Estado, é a contrapartida para o déficit de funcionários públicos na educação.
Em abril e maio, o valor distribuído para as escolas foi superior a R$ 147 mil, sendo que a maior fatia dos recursos ficou para Bauru, afirma Jarussi. O salário de Agente de Organização Escolar (AEO) é de R$ 441,00, para 40 horas semanais, e o candidato deve ter ensino médio completo. Os contratos são feitos em regime da CLT ou por meio de cooperativas.
Porém, as diretoras de escolas argumentam que os funcionários contratados nesse regime não são preparados para as funções de inspetor de aluno ou servente e o recurso é insuficiente.
Outro problema, segundo a diretora da escola Vera Campagnani, Jeane de Oliveira Cavalieri, é que a relação escola-aluno é diferente da encontrada no passado. “Atendemos hoje alunos de 10 a 30 anos de idade. E como a questão da violência está difícil, recebemos estudantes que estão saindo da Febem. Por tudo isso, deveríamos ter um número maior (de inspetores)”, afirma.
Atualmente, a Secretaria de Estado da Educação prevê um inspetor de alunos para cada dez salas de aula, ou seja, um profissional para atender 350 estudantes do ensino fundamental ou 400 do ensino médio.
Para a diretora da escola Stela Machado, Teresa Regina Ferreira, é necessário rever essa média, considerada inviável. Na sua escola, por exemplo, há 1.780 estudantes, distribuídos em 49 salas, entre ensinos médio e fundamental. “Não estamos dando conta desse número de crianças. Então nós, diretores, acabamos fazendo esse trabalho porque só os inspetores não conseguem”, ressalta.
Jarussi não concorda com a posição da diretora e diz que a Stela Machado, que receberia R$ 2.646,00 mensais para contratação de agente de organização escolar ou de serviços, já é atendida com dez funcionários do Estado e mais seis contratados, num total de 16 pessoas. “Agora eles (diretores) querem um monte de funcionários para ficar fazendo o quê?”, questiona.
Mais contratações minimizariam, por exemplo, o mal-estar provocado pelo deslocamento de função de funcionários, quadro encontrado na escola Luiz Castanho de Almeida. “É ruim porque temos de transferir profissionais de outros setores para atender as prioridades”, relata a diretora, Jacy Amatea Mogone.
Nessa unidade, localizada na Vila Falcão e com 957 estudantes distribuídos em 12 salas de aula, há dois inspetores, quando o considerado ideal pela diretora seriam cinco.
A escola Azarias Leite também conta com dois inspetores, mas a quantidade não supre a necessidade da unidade. “Eu tenho falta mesmo de funcionário. Recebi dois pela cooperativa, mas é insuficiente”, conta a diretora, Gilda Maria de Oliveira Santos.
Na escola João Maringoni, que atende 1.600 alunos em 41 salas de ensinos fundamental, médio e de educação para jovens e adultos, faltam serventes, segundo Roseli Alves Moreira da Silva, diretora da unidade, localizada no Núcleo Beija-Flor.
Para o secretário geral do Sindicato dos Especialistas no Magistério da Educação no Estado de São Paulo (Udemo), Francisco Poli, a escola pública estadual somente não está perdida graças à dedicação dos profissionais e o interesse dos pais dos alunos. “É preciso investir mais e melhor”, cobra.