Política

Vereadores tentam adiar fim de PSs

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de vereadores solicitou ontem o adiamento da suspensão temporária do atendimento de urgência e emergência nos pronto-socorros (PSs) Mary Dota e Ipiranga. O pedido foi feito à secretária municipal da Saúde, Tereza Faifer, durante encontro que também contou com a participação de moradores dos bairros servidos pelas duas unidades.

“Vamos levar essa proposta de adiamento para o prefeito, porque o remanejamento que elaboramos foi realizado de forma emergencial para resolver a problemática do déficit médico e das unidades que não estão cumprindo as atividades para as quais foram criadas”, destacou Faifer.

A intenção da prefeitura é concentrar provisoriamente os atendimentos de urgência e emergência nos PSs Central e Bela Vista até que a administração municipal possa contratar médicos para suprir a demanda de 75 profissionais verificada atualmente.

Enquanto isso, as unidades do Mary Dota e Ipiranga passariam a atender apenas consultas pré-agendadas em horário diferenciado, até as 19h. Os pacientes emergenciais seriam levados para os PSs em ambulâncias que ficariam à disposição da população 24 horas por dia. A data em que a alteração entrará em vigor ainda não foi divulgada.

A decisão da prefeitura não agradou parte dos vereadores, que visitaram as duas unidades e solicitaram a reunião com a secretária. “O que o prefeito pregou na sua campanha é que ele ouviria a população e a Câmara Municipal. Espero que ele abra um espaço de dois a três meses para rediscutir se é necessário ou não fechar os PSs”, destacou o parlamentar Paulo Madureira (PP).

Os vereadores comunicaram que irão aguardar uma resposta da secretária a respeito do pedido de adiamento na audiência pública agendada para a próxima quarta-feira. “Espero que ela leve essa respota do prefeito até a Câmara”, comentou Madureira.

O parlamentar descartou, por enquanto, procurar o Ministério Público (MP) para discutir o assunto. “Temos que esgotar todas as discussões nos âmbitos do Legislativo e do Executivo antes de seguir outro caminho”, observou.

Reestruturação

Durante quase duas horas, Faifer tentou convencer os vereadores sobre a necessidade da reestruturação do sistema municipal de saúde, que segundo ela exige a suspensão temporária dos atendimentos de urgência e emergência nos PSs Mary Dota e Ipiranga.

“Na parte de pediatria, temos o PS Ipiranga completamente descoberto às sextas-feiras, sábados e domingos. O mesmo ocorre durante o período noturno nos demais dias. No atendimento de adultos, a escala não contempla durante o dia nenhum profissional de clínica médica. Isso não é atendimento de urgência e emergência. O que a população está com medo de perder de fato ela não tem”, argumentou a secretária.

Alguns vereadores sugeriram a contratação emergencial de médicos para evitar a desativação temporária dos PSs, mas Faifer afirmou que um parecer da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos vetou a medida por entender que o trabalho desenvolvido na área da saúde é uma necessidade permanente, e não apenas temporária. Ela não descarta procurar o MP para tratar do assunto.

A secretária afirmou, ainda, que a reestruturação é mais ampla e envolve outros aspectos além do fechamento dos PSs. Um deles é o estímulo às consultas pré-agendadas como forma de desafogar a demanda nos pronto-socorros. Também está definida a abertura de concurso público para o prrenchimento das 75 vagas atualmente disponíveis.

O vereador Primo Mangialardo (PV) cobrou a fiscalização dos médicos que atendem nas unidades básicas de saúde. Segundo ele, muitos profissionais não permanecem quatro horas nesses locais, descumprindo sua jornada de trabalho. Faifer afirmou que há um estudo para implantar um sistema de identificação digital que irá coibir possíveis abusos.

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