Geral

Bauru não tem previsão para venda de remédio fracionado

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

As farmácias e os laboratórios já podem fracionar remédios, mas em Bauru ainda não há previsão de quando a nova forma de comercialização será oferecida ao consumidor. Até quarta-feira, nenhuma farmácia da cidade havia solicitada à Vigilância Sanitária a inclusão no serviço de fracionamento, uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Entre donos de estabelecimentos do setor e farmacêuticos de Bauru consultados pelo JC é consenso que a autorização para fracionar remédios precisa ser melhor discutida internamente e que a indústria farmacêutica tem de se adaptar à nova realidade para depois decidir pela nova prática. O objetivo da Anvisa com a autorização para venda fracionada é que o consumidor compre a quantia exata do medicamento indicado na receita, para evitar sobras e, conseqüentemente, gastos desnecessários.

Entre as exigências da Anvisa está a obrigatoriedade do remédio fracionando ser colocado numa segunda embalagem com a bula do produto. Ou seja, as farmácias vão precisar de embalagem e bulas extras, explica Halley Mesquita, gerente de uma drogaria consultada pela reportagem. “Hoje, os medicamentos têm só uma embalagem e uma bula”, frisa.

Além disso, Mesquita lembra que a autorização da Anvisa para fracionar é restrita a farmácias, estabelecimentos que têm licença para manipular e vender medicamentos. As drogarias, que somente comercializam remédios, teriam que mudar sua razão social e obter licença de farmácia antes de solicitar autorização para fracionamento.

As mesmas observações são feitas por Rui Pagano Júnior, dono de uma rede de drogarias em Bauru. “O medicamento tem que vir pronto da indústria, com todas as condições para ser fracionado. Ao contrário, pode dar margem à falsificação”, alerta. Ele frisa que precisa discutir melhor o assunto para decidir se vai solicitar autorização da Anvisa para fracionamento, mas acredita que a nova modalidade atende aos interesses dos consumidores.

O farmacêutico bioquímico Ari Tiago Faustino de Souza, que trabalha em uma farmácia de manipulação de Bauru, relata que a empresa vai discutir melhor o assunto para depois decidir pelo fracionamento ou não. “Como é uma farmácia de manipulação, o cliente já compra a quantidade exata indicada na receita. Atualmente, vendemos apenas dois itens industrializados, mas há a possibilidade da farmácia aderir sim se decidir trabalhar com mais medicamentos industrializados”, comenta.

Para uma farmacêutica consultada pelo JC, que preferiu não ter seu nome divulgado, os laboratórios terão de produzir medicamentos em embalagens diferenciadas para fracionamento e disponibilizar, juntamente, embalagens e bulas extras. “Pela portaria da Anvisa, não podemos simplesmente pegar uma cartela de remédio com dez cápsulas, por exemplo, abri-la e cortar um comprimento e vendê-lo. É preciso estar adaptado para garantir a validade e demais informações em cada parte do medicamento fracionado, além da bula”, diz.

Comentários

Comentários