Bairros

Pavimentação ‘negativa’ bairro inteiro

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Os moradores de uma rua do Parque Roosevelt, região oeste da cidade, sentiram na pele o que significa a prerrogativa da administração municipal poder cobrar pelos serviços de pavimentação. Depois de anos sofrendo com a falta de asfalto, os moradores da rua Sargento Leôncio Ferreira dos Santos se viram na difícil situação de se transformar em devedores junto à prefeitura.

No final do ano passado, pouco mais de um ano após as máquinas deixarem a rua asfaltada, os moradores foram surpreendidos com o recebimento de boletos para o pagamento imediato do serviço. Mesmo parcelada, a dívida em alguns casos atingiu valores próximos a R$ 1.400,00. “Um valor destes ninguém merece”, diz a dona de casa Celene Alves ao mostrar seu carnê indicando uma dívida de mais de 1.200,00.

“Todos ficaram inadimplentes, pois eles (a prefeitura) colocaram valores que fogem da condição financeira das pessoas. Isso aqui (Parque Roosevelt) é um bairro pobre e não conheço ninguém que tenha pago”, afirma Janete da Silva Salvestro, moradora do local há cerca de 15 anos. A situação, segundo ela, constrange os moradores. “Nunca atrasei um dia sequer qualquer conta ou imposto e agora meu nome aparece na ‘lista negra’ da prefeitura”, revolta-se.

O que mais revolta os moradores, no entanto, é que, além da cobrança, considerada por eles como abusiva, o trabalho teria sido mal executado. Como apenas a rua principal foi asfaltada, quando chove a lama das vias transversais desce e encobre a que foi pavimentada. “Já tivemos várias casas inundadas na época das chuvas, pois a terra que desce entope as saídas de águas pluviais das residências”, conta.

Ela admite que os moradores pensam em acionar juridicamente a prefeitura por causa do serviço mal feito. “Já fizemos várias fotos das inundações de lama e vamos exigir nossos direitos”, conta Salvestro, para quem a obra foi realizada apenas para beneficiar um comerciante instalado na região.

Apesar dos protestos e da revolta, os moradores admitem estar conscientes de que terão de pagar a dívida um dia. “Apesar de não termos assinado nada, juridicamente somos devedores, mas estamos aguardando um contato da prefeitura para conciliação. Queremos um Refis especial para o bairro”, diz Salvestro, numa referência ao programa da prefeitura que oferece aos contribuintes a regularização de débitos em atraso. “Ninguém está se eximindo da dívida, mas queremos um valor justo e um serviço bem feito”, completa.

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