Política

Vereadores cobram promessa de Tuga

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O fechamento temporário dos prontos-socorros (PSs) Mary Dota e Ipiranga foi novamente alvo de críticas na sessão legislativa de ontem, a exemplo do que havia ocorrido na semana passada. O vereador Marcelo Borges (PSDB) chegou a apresentar um vídeo que mostra o então candidato a prefeito Tuga Angerami (PDT) prometendo investir nas unidades descentralizadas.

No vídeo, exibido durante a campanha eleitoral do ano passado, Tuga fala em melhorar as condições de atendimento nos PSs Mary Dota, Ipiranga e Bela Vista, contratando médicos e comprando equipamentos. Ele também defende a abertura de uma quarta unidade descentralizada, que seria instalada no Núcleo Geisel.

“Estamos apenas cobrando uma promessa de campanha. Nós não queremos o fechamento dos PSs”, discursou Borges. Ele é contrário à proposta da prefeitura de suspender o atendimento de urgência e emergência nos dois PSs, que colocariam ambulâncias à disposição da população até que o município amenize o déficit de 75 médicos verificado atualmente por meio de concurso público.

O vereador Benedito da Silva (PSDB), presidente da Comissão de Meio Ambiente, Higiene, Saúde e Previdência da Casa, também voltou a atacar a medida anunciada pela prefeitura. “Os usuários dessas unidades estão inconformados com a ação política adotada pela administração”, declarou.

O parlamentar Arildo de Lima Jr. (PP) defendeu o adiamento do fechamento temporário até que o asunto possa ser amplamente debatido. “Temos que nos preocupar com a questão da saúde pública. Queremos que a discussão seja feita com toda a sociedade”, afirmou.

Na última quarta-feira, a proposta de Lima Jr. foi feita pessoalmente por um grupo de vereadores à secretária municipal da Saúde, Tereza Faifer. Ela foi convidada para participar de audiência pública amanhã, mas o encontro foi adiado para o dia 7 de junho a pedido do prefeito, que também quer participar do encontro.

O parlamentar Paulo Madureira (PP) foi enfático ao cobrar o adiamento do fechamento temporário. “A discussão está no caminho errado. Nós não podemos iniciá-la já com os PSs fechados. É preciso encontrar uma solução alternativa”, destacou.

O vereador Primo Mangialardo (PV) citou uma contratação emergencial de merendeiras feita em Araraquara, sugerindo à prefeitura de Bauru que fizesse o mesmo em relação à saúde. A administração alega, no entanto, que um parecer da Secretaria de Negócios Jurídicos impede a adoção da medida.

Já o vereador José Carlos Batata (PT) aproveitou a sessão de ontem para contestar a afirmação da administração municipal que aponta a implantação repentina do Servilo de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) como um dos fatores que agravaram o déficit de médicos. “Não consigo entender essa lógica”, criticou.

A prefeitura diz que precisou remanejar profissionais que atendiam nos PSs para montar as quatro equipes que atuam no Samu. Se isso não fosse feito, o município perderia o convênio com o governo federal. A administração afirma que a gestão Nilson Costa não se preparou adequadamente para receber o serviço, deixando o problema para o sucessor.

Defesa

Os parlamentares da base aliada ao prefeito saíram em defesa de Tuga. “O que o prefeito está tentando fazer é reestruturar o sistema e é preciso ter coragem para mudar essa situação caótica que afeta os PSs”, comentou o líder do governo na Câmara, vereador Faria Neto (PDT).

O mesmo discurso foi adotado pelo parlamentar Rodrigo Agostinho (PMDB). “Nenhum vereador defende o fechamento de PSs. O que defendemos são medidas urgentes para melhorar o atendimento à população”, argumentou.

A parlamentar Majô Jandreice (PCdoB) deu um puxão de orelhas na oposição. “Em anos anteriores, fizemos três ou quatro audiências públicas para discutir esse assunto e poucos vereadores participaram”, observou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do prefeito para verificar se ele iria se pronunciar a respeito das críticas feitas à administração municipal e sobre a exibição do vídeo com declarações feitas por ele durante a campanha, mas não obteve retorno até o fechamento dessa edição.

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