A quatro dias do encerramento das atividades do Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental Sebastião Paiva, os funcionários deixaram de acreditar na possibilidade de transformar o prédio num centro de atenção psicossocial (CAP) com atendimento 24 horas. A proposta, entregue em mãos ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), só será avaliada pela Direção Regional de Saúde (Dir-10) após a transferência de todos os pacientes.
A informação foi confirmada ontem pela assessoria da Secretaria do Estado da Saúde. De acordo com o órgão, restam apenas 35 internos na entidade, que poderia ser reestruturada para oferecer oficinas terapêuticas, além de outros serviços.
Em uma semana, os 210 trabalhadores estarão desempregados. “Ninguém nos deu retorno (sobre o projeto). O clima está péssimo. Com certeza (é decepcionante)”, diz a diretora técnica do hospital, Cibele Mendonça. A maioria já foi conduzida para outros hospitais situados em cidades como Jaú, Lins, Pirajuí e São Paulo.
A transferência, no entanto, ocorreu à revelia da efetivação de uma nova política de saúde mental no município, que contemplasse os princípios do movimento antimanicomial, como a oferta de equipes mínimas de atendimento especializado na rede pública municipal, maior número de centros de atenção psicossocial, prontos-socorros com equipe de emergência psiquiátrica e leitos em hospitais gerais. “Nós vamos cobrar. A questão da desinternação é um processo”, conclui a coordenadora do Conselho Municipal de Saúde, Vera Porto.