Regional

Vera Cruz recebe alunos de outros Estados

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O internato contemporâneo não tem mais o rigor dos colégios internos de antigamente, com cara de reformatório. Hoje, os internos, batizados de residentes, vão morar na escola e se submetem às normas por livre e espontânea vontade e não pelas mãos dos pais. Procuram conhecimentos específicos e por não terem como se deslocar de suas cidades de origem diariamente, acabam morando no local.

Os horários rígidos foram substituídos por flexíveis e as normas aplicadas pela comissão que administra as residências são decididas com a participação dos alunos. Nesse modelo de colégio, o interno pode sair e conviver com a comunidade da cidade mais próxima, no caso Vera Cruz (80 quilômetros a noroeste de Bauru).

A responsabilidade das transgressões às normas é do aluno e de sua família, avisa o diretor da escola Técnica Estadual Paulo Guerreiro Franco, José Fernando Peloso. “No início do ano, os pais autorizam ou não a saída dos filhos. Mesmo que os pais não autorizem, o controle não é feito pela escola. Eles podem ligar para saber se o filho está.”

Se o aluno não estiver na escola, os pais é que têm que tomar as providências que julgarem necessária. “Quando a gente toma conhecimento de alguma coisa nesse sentido, informamos os pais.”

De acordo com o diretor, o estudante pode sair da escola. “Eles têm obrigação de assistir aula. Podem participar de eventos na cidade, desde que estejam aqui até 23h, durante a semana, e até 2horas, no final semana, quando podem ir a um baile por exemplo.”

A escola mantém um vigia dia e noite, que controla a entrada e saída dos alunos. “O residente passa na secretaria acadêmica e deixa o nome. É o vigia quem faz as anotações que serão entregues à diretoria. Se o interno retornar alterado, no dia seguinte será chamado para conversar com a diretoria.”

A diretora de serviços da escola, Sônia Maria Valsecchi Ribeiro de Souza, frisa que o diálogo é a arma utilizada na solução dos problemas. “Quando eles chegam, são, em sua maioria adolescentes, conversamos sobre as normas. Se surgir algum problema, nós conversamos.”

Para a diretora, as dificuldades não são constantes. “Eles são bastante conscientes de seus deveres. Estamos com 130 internos sendo que deste total, 20 são do sexo feminino. Elas moram em alas separadas, mas convivem com os meninos normalmente. Não tivemos problemas graves por aqui.”

A diretora ressalta que nenhum estranho pode entrar no colégio. “Namorado não entra e os abusos são corrigidos de imediato. Nós orientamos os adolescentes sobre todos os riscos de um relacionamento, inclusive sobre os cuidados que eles têm que tomar.”

O diretor, que é morador de Vera Cruz, acompanha, meio que de longe, o comportamento dos alunos nos finais de semana na cidade. “Tenho filhos adolescentes e procuro dar uma volta noturna no final de semana para observar o comportamento dos alunos. Se percebo alguma coisa diferente, converso e comunico os pais.”

Colégio interno & residências

José Fernando Peloso ressalta que dos antigos colégios internos pouco restou. “Os colégios internos eram verdadeiros reformatórios. Era fechado, os alunos ficavam trancados. Aqui eles tem uma vida normal de um ano e meio a três. Temos dois tipos de cursos, o ensino médio e o curso técnico com duração de três semestre.”

O sistema de internato e semi-internato foi adotado para atender uma necessidade dos alunos. As aulas começam muito cedo e aqueles que moram distantes não têm como chegar a tempo. Ou, o aluno mora tão longe que não teria como freqüentar as aulas se não tivesse essa oportunidade”, enfatiza Sônia de Souza.

Ela lembra que a maioria dos alunos é de família menos abastada. “Eles não são obrigados a morar aqui. Podem morar na cidade, mas os custos pesam no orçamento da família.”

Os semi-internos ficam de segunda a sexta-feira e os internos visitam a família nas férias e recesso escolar, explica Peloso. “Os alunos de Marília, cerca de 15 quilômetros daqui, são internos de segunda a sexta-feira. A falta de transporte no horário que eles necessitam impossibilita que eles retornem todos os dias para casa. Outra parcela dos internos são de outros Estados. Esses vão para casa a cada seis meses.”

Os estudantes da escola agrícola ficam atrelados ao índice de faltas. “Eles podem faltar. O limite é de 25% de falta. Se ele viajar sempre está arriscado a perder mais aula.”

A permanência como interno tem um custo é simbólico na avaliação do diretor. “De segunda a sexta- feira, eles pagam R$ 60,00. Aqueles que ficam direto, pagam R$ 65,00. A cobrança começou em 98 quando o Centro Paula Souza deixou de ser responsável pelas residências.”

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