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Mudança na distribuição de exames para tirar e renovar CNH gera fila

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Faltavam poucos minutos para encerrar o expediente de ontem na 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru e cerca de 25 pessoas ainda aguardavam a vez de serem atendidas para agendar exames médico e psicológico para tirar a permissão de dirigir ou renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Até o início da semana passada, as filas no setor eram raras. Mas uma mudança no agendamento dos exames está levando usuários e funcionários de despachantes a esperar até por horas para serem atendidos.

Até terça-feira passada, os despachantes agendavam os exames médico e psicológico de seus clientes através da Internet, usando um programa criado e gerenciado por uma empresa de Ribeirão Preto, explica o delegado Antônio Carlos Piccino Filho, diretor da 5.ª Ciretran. O programa seguia a determinação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), de que os exames para CNH têm de ser distribuídos entre os médicos e psicólogos cadastrados pelo órgão de forma eqüitativa, aleatória e impessoal.

Mas por decisão do próprio Detran, a Ciretran de Bauru - assim como a de Presidente Prudente e Ribeirão Preto - não pode mais usar o programa. O resultado é fila no setor de agendamento de exames para CNH. “A defasagem no quadro de pessoal da Ciretran é de dez funcionários. O deste setor saiu em abril e para lá remanejamos um de outra área. Agora, com essa mudança na distribuição dos exames, aumentou muito o número de usuários no setor e não temos como remanejar funcionário de outras áreas, que também estão com falta de pessoal”, explica Piccino Filho.

“Está muito mais difícil agora. Antes, em dois minutos, do escritório mesmo, entravámos no programa e o cliente já saía com o exame marcado. Agora, nós temos de vir na Ciretran marcar o exame do cliente, que tem de retornar ao despachante para saber qual o profissional, endereço e horário do exame”, explica Cid Ferreira, funcionário de um despachante da cidade que ontem estava na fila com requerimentos de três clientes.

Com requerimentos para marcar exames de 15 clientes, Daniela Scarcela, funcionária de outro despachante, esperou quase duas horas para ser atendida. “E para marcar cada exame demora de dois a três minutos. Ou seja, quem está na fila tem de esperar, às vezes, mais de meia hora para uma única pessoa ser atendida”, comenta Edson Armando da Silva, funcionário de outro despachante que estava na fila com 20 requerimentos.

O Detran suspendeu a autorização dada em 2004 às Ciretrans para usar o programa após uma empresa concorrente à que administrava o sistema questionar a parceria. Isso porque a Ciretran usava o programa gratuitamente, mas dos despachantes a empresa vinha cobrando uma taxa mensal. “Nós pagávamos R$ 15,00 por mês. Mas vai ficar mais caro agora porque um funcionário tem que vir na Ciretran fazer o agendamento”, opina Cristiane D’Ávila Munhoz, funcionária de um despachante da cidade.

Os despachantes são taxativos em afirmar que os exames devem voltar a ser feitos de forma informatizada. Já os usuários apenas esperavam na fila, sem saber o motivo da demora no atendimento. “Vim marcar o exame para renovar minha carta que venceu já há alguns dias. Vi gente desistindo de esperar, mas não sei se é sempre assim”, disse o aposentado Paulo Pereira, que estava na fila ontem à tarde.

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