De janeiro a abril deste ano, a Caixa Econômica Federal (CEF) fechou em Bauru 64 contratos de financiamento habitacional para aquisição de imóveis usados, volume 42% maior que os 45 efetuados no mesmo período do ano passado. Os dados informados pelo Escritório de Negócios (EN) da Caixa em Bauru referem-se à linha de crédito que permite a utilização de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) - uma das mais procuradas.
A realidade local reflete os números apontados em levantamento feito pelo Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-SP), segundo o qual o crescimento nos primeiros quatro meses do ano foi de 136,75% no Interior do Estado de São Paulo. Na Capital paulista, o aumento foi de 118,3%, segundo o Creci-SP, cujos dados se referem ao universo de bancos estatais e privados.
Na região de abrangência do EN da Caixa, que engloba 91 municípios, a liberação de financiamentos para imóveis usados no primeiro quadrimestre do ano somou 287 contratos, contra 152 no mesmo período do ano passado.
Outros bancos também foram consultados pela reportagem. Entre eles a Nossa Caixa, que não deu retorno até o fechamento desta edição, e o Itaú, cuja assessoria de imprensa informou que não seria possível fornecer os dados ontem.
Para o gerente de mercado da CEF Wanglei Taú, os principais motivos que estão impulsionando os contratos para imóveis usados são o aumento da cota financiada pelo banco e o volume maior de recursos disponibilizados pela Caixa este ano em comparação com 2004.
“Nas linhas de imóveis usados que utilizam recursos do FGTS, a Caixa financiava até 70% do valor do imóvel. Agora, essa cota passou para 90%, o que facilitou muito o acesso aos interessados. Essa linha com recursos do FGTS é bastante atrativa, com juros baixos e bom prazo para pagar o financiamento”, observa o gerente.
Segundo Taú, para famílias com renda mensal de até R$ 1.500,00, a taxa de juros é de 6% ao ano. Acima deste valor, limitado a R$ 3 mil, os juros são de 8,16% ao ano. O imóvel deve ser avaliado em até R$ 72 mil e o prazo para pagar é de até 240 meses. O mutuário não pode comprometer mais do que 30% da sua renda mensal para adquirir o financiamento. Advogados especializados em habitação orientam para que o mutuário prefira sempre prazos mais curtos para quitar o empréstimo.
Metas
De acordo com o gerente da CEF, o objetivo do banco é financiar um total de R$ 6,5 milhões em habitação este ano para Bauru. Para a região de abrangência do EN, a meta é financiar 1.300 unidades (entre todos os municípios abrangidos) até o final do ano, somando recursos liberados da ordem de R$ 27 milhões.
Em âmbito nacional, o caixa da CEF para financiamentos habitacionais este ano é de R$ 8 bilhões, contra os R$ 4 bilhões do ano passado, segundo Taú. “Recentemente, a Caixa também reduziu os juros de diversas linhas de crédito voltadas para a habitação. O consórcio também tem sido bastante procurado em Bauru, e é ideal para atender as necessidades de quem quer um imóvel pronto, seja novo ou usado.”
De acordo com o corretor de imóveis e delegado regional do Creci de Bauru, Roberto Lima, na média, de cada dez contratos habitacionais firmados, sete são com financiamento da CEF. Sobre a movimentação total ao longo deste ano, ele confirma que a maioria das aquisições foram de imóveis usados.
“A maioria dos contratos está na faixa de R$ 50 mil a R$ 100 mil. O crescimento das vendas de imóveis usados acaba beneficiando todo o setor imobiliário, porque quem vende uma casa ou apartamento acaba comprando outro imóvel, desencadeando uma seqüência que deságua no imóvel novo. Além disso, as construções novas geram emprego a muitos trabalhadores”, observa Lima.
O presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, também ressalta o bom momento do setor e a importância do aquecimento das vendas de usados. “O aumento do crédito para imóveis usados tem sido uma reivindicação permanente do Creci. Sua expansão agora é muito bem vinda, porque esse crescimento é fundamental para o mercado imobiliário como um todo.”
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Sonho realizado
Maria Galhardo Cardoso, 49 anos, e o marido Ricardo, 52 anos, estão realizando o sonho de ter sua própria casa. Eles não engrossam a estatística que mostra o aumento da aquisição de imóveis usados, mas Maria confirma que as recentes quedas nas taxas de juros das linhas de crédito oferecidas pela Caixa Econômica Federal (CEF) possibilitaram a concretização do sonho.
“Nós fizemos um financiamento na Caixa para comprar um terreno e construir nossa casa. Foi tudo bem fácil de fazer, sem burocracia, e ainda nessa semana vamos começar as obras. Vai ser uma casa de 70 metros quadrados, com dois quartos, sala, dois banheiros, cozinha, área de serviço e garagem para dois carros. O terreno é na Vila Nova Paulista, num ponto muito bom”, comemora.
Maria e o marido vão morar na casa nova com a filha. No momento, eles residem no apartamento de outro filho do casal. Na linha adquirida por eles, o prazo para pagar é de até 240 meses.