Garça - A maior e uma das mais antigas cooperativas de café do Brasil, a Garcafé está em liquidação. As dificuldades da cooperativa foram resultado principalmente, da inadimplência dos cooperados. Bertone, que durante os últimos anos foi presidente da cooperativa, explica. “Mais de 80% dos inadimplentes são da região do serrado de Minas Gerais onde a cooperativa era muito maior do que aqui.”
De acordo com ele a cooperativa de Garça movimentava 1 milhão de sacas de café. “Os grandes produtores, em 1996, 1997, passaram por dificuldades e não pagaram a cooperativa. Tivemos que executar. Isso deseqüilibrou. A origem da crise da Garçafé não foi na cafeicultura de Garça.”
O presidente da comissão de liqüidação da Garcafé, José Wilson Lopes, acredita que, na década de 80, faltou uma política mais dirigida para a cafeicultura no Brasil. “Tivemos alguns dirigentes que achavam que, o cafeicultor fazia empréstimos e não pagava, embora sempre tenha existido uma inadimplência dos cafeicultores junto ao governo.”
Mas, ele frisa que a inadimplência foi gerada pela falta de uma política de preços. “Nós sempre dependemos dos preços determinados por Londres. Hoje, quem dita os preços do café é a bolsa de Nova York. Na década de 80, houve uma queda no preço e o cafeicultor não se recuperou, até porque a safra boa ocorre a cada dois anos e os pequenos produtores não têm noção administrativa do negócio.”
Lopes explica que os pequenos colhem e vendem para saldar as dívidas. “Quando ocorre baixa de preço ou quebra da produção, o cafeicultor não consegue pagar as contas e começa a acumular dívidas. Nos últimos anos, eles não tiveram como se capitalizar. Para produzir um saco de café, com um custo de US$ 90, muitas vezes temos que vender a US$ 60.”