De 1999 até o fechamento deste ano, as indústrias exportadoras de Bauru e cidades da região, instaladas num raio de 100 quilômetros, vão ter um salto de 734% no volume de valores arrecadados em dólares com seus negócios. No ano de 1999, foram comercializados US$ 8,4 milhões com o exterior contra US$ 70 milhões previstos para este ano.
A informação é do economista Carlos Sette, coordenador do Grupo de Economia da regional Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Para ele, os números, registrados pela Estação Aduaneira instalada em Bauru, são fortes demonstrativos de que o município, com o apoio da região, caminha para fortalecer seu parque industrial.
Bauru, pelo seu passado, detinha, até recentemente, sua vocação no comércio e na prestação de serviços. Mas o atual perfil levantado pelo economista demonstra que a cidade está em mutação. Embora apenas 30 das 550 indústrias instaladas no município exportem seus produtos, os números de crescimento são alentadores.
Bauru e região exportam cadernos, máquinas, baterias automotivas, carnes processadas, sucos em pó, confeitos, massa alimentícia, cintos, bolsas, utilidades plásticas, quadros escolares e palets. Oitenta por cento dessa lista de produtos ficam nos países da América do Sul, 10% seguem para a América do Norte, 5%, para terras européias, e 5% para o resto do mundo.
Na avaliação de Sette, o quadro progressivo na área de exportações é uma conquista. “Uma indústria não exporta seus produtos da noite para o dia. O grau de dificuldade, se comparado com o mercado interno, é maior. Os negócios dependem de contatos, de participação de feiras internacionais. O incentivo à exportação faz parte da política macroeconônica do governo”, explica.
O economista diz que para as organizações exportar também é um grande negócio. “Se o mercado interno estiver recessivo, os produtos vão para o exterior com faturamento em dólar à vista. Mas isso é um trabalho que tem que ser plantado. Em alguns casos, espera-se até dois anos para viabilizar os negócios”, comenta.
Na avaliação dele, a busca do mercado externo atrai mais as médias e grandes empresas. “Para a exportação, a pequena empresa tem enorme dificuldade. Mas quando se tem grande indústrias exportando, as pequenas fornecem para elas. Um exemplo: no setor de alimentos, o fornecedor de embalagem cresce junto. Isso traz crescimento para a região”.
O economista comenta que diante dos números é possível afirmar que Bauru, cujo o forte perfil econômico girava em torno do comércio, começa a sedimentar um pólo industrial de peso. “Os moradores da região se dirigiam para cá em busca do comérciom mas essas cidades menores estão mais organizadas, têm seu comércio próprio”, analisa. Sette informa que a indústria já é a maior geradora de empregos em Bauru. “Mais de 50% dos empregos da cidade estão nas corporações. No recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, a indústria também desponta como maior geradora”.
Na opinião dele, as empresas que exportam agregam salto de qualidade significativo na sua linha de produção e administração. “Quando se exporta, melhora-se o desempenho de uma empresa. Quando se começa a trabalhar no mercado global, a exigência da qualidade dos produtos torna-se global. É preciso treinar funcionários, recompletar tecnologias. E isso é bom porque se ela tem uma parcela do mercado interno, terá um preço muito mais competitivo”.
Mas a queda do dólar em relação ao real é uma preocupação para o economista.
“Muitas empresas estão honrando os contratos mesmo com essa queda do dólar. Algumas empresas conseguiram renegociar seus contratos e outras não. A taxa de câmbio não pode ser muito desvalorizada em relação real. Isso inviabilizaria a exportação”, alerta.