Regional

CEI apura sumiço de cheques na Câmara Municipal de Pongaí

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

Pongaí - Uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada pela Câmara Municipal de Pongaí está apurando denúncia sobre o sumiço de três cheques do Poder Legislativo.

Um desses cheques, no valor de R$ 507,00 teria sido encontrado na lixeira da Câmara, rasgado. A folha, que foi retirada de um talonário do Legislativo, trazia uma assinatura supostamente falsificada do presidente da Casa, João Donizete Campoi (PFL).

O cheque pré-datado teria sido utilizado para pagamento de uma compra de mercado. Mais tarde, a folha teria sido recuperada pelo responsável, que voltou ao estabelecimento para pagar os gastos em dinheiro.

Com o número desse cheque, o presidente da Câmara afirma que conferiu o talonário e descobriu o sumiço das outras duas folhas, que até ontem não haviam sido localizadas. Segundo Campoi, os cheques não foram descontados.

A CEI foi instaurada por unanimidade no final do mês passado. A segunda reunião entre os membros da comissão está prevista para hoje. A comissão tem 90 dias para a conclusão dos trabalhos.

“A CEI foi pedida para apurar a responsabilidade do presidente e de todos ali (na Câmara)”, diz o vereador João Carlos Jacomini (PTB), membro da CEI.

Procurada pela reportagem, a presidente da comissão, Maria Tereza Ferreira Penariol (PFL), não quis comentar o assunto.

Essa é a primeira CEI formada no município de cerca de 4 mil habitantes, de acordo com Jacomini.

Inquérito

Conforme divulgou o JC, o sumiço dos cheques está sendo alvo de investigação pela Polícia Civil. O inquérito apura também denúncia envolvendo notas fiscais “frias” que teriam supostamente sido emitidas sem a efetiva aquisição de produtos para o Legislativo. “São notas de compra de materiais, que na verdade não foram adquiridos e utilizados pela Câmara”, diz o presidente do Legislativo, que apresentou as denúncias à Polícia Civil.

O inquérito apura ainda o recebimento de um boleto bancário em nome da Câmara para pagamento de compra feita em uma loja de Bauru, no valor de R$ 1.410,00.

Por conta das denúncias, o diretor da Câmara Abílio Aparecido Peres Júnior foi exonerado do cargo recentemente. Na avaliação do presidente da Câmara, o ex-funcionário estaria envolvido nas irregularidades, inclusive no sumiço dos cheques.

Peres Júnior nega as acusações e afirma que não teria participado de qualquer desvio de dinheiro do Legislativo. “Os cheques ficavam à minha disposição, mas também dele (do presidente da Câmara), do contador, do secretário, de todo mundo que trabalha na Câmara”, diz.

O ex-diretor acredita que estaria sendo vítima de perseguição e afirma que seu afastamento do cargo teria sido motivado por questões pessoais.

O delegado de Pongaí, Fernando Coqueiro, disse ontem que o processo de apuração na polícia está ocorrendo em sigilo e não forneceu outras informações sobre o assunto.

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