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A luta pelo poder


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Mecanismo irresistível na vida política é a tendência dos indivíduos organizarem-se em partidos. E por quê? Entre outras coisas, porque fica mais fácil apropriarem-se do poder público. O partido, prioritariamente, não é organizado senão para combater ou conquistar o poder.

Vejamos o caso do PT, ora no topo do governo. Lutou longos anos contra os mandatários do país, até chegar aonde queria. Acontece que o PT, cujos objetivos eram defender interesses de grupos ou de classes, acabou caindo nos mesmos vícios de grande parte dos partidos, isto é, transformou-se numa comunidade de interesse privado, quer pela própria cobiça e vaidade, quer pela pressão de causas múltiplas e complexas.

Lula fala como se o PT fosse um modelo de virtudes. Como se não tivesse sido atingido pelos desmandos que a mídia escancara para todos os brasileiros. Os petistas estão mergulhados até o pescoço num mar de lama. Desnecessário citar nomes. O leitor bem informado sabe que a generalidade dos correligionários não pode gabar-se de quase nada. O PT, como outros partidos da história, acabou se transformando numa agregação montada para fins individualistas e eleitoreiros, incapaz de mover-se por objetivos de interesse coletivo.

Nosso presidente deveria deixar de lado essa mania de achar-se incorruptível, de considerar-se o salvador da pátria, o centro de uma associação que erra pouco, de desviar o tom da música quando os acordes desafinam. Ele só enxerga, na esfera econômica, o competidor e o rival e, na esfera do político, apenas o amigo e o inimigo ou o adversário e o correligionário. Quem admite erros no PT é tido sistematicamente como seu inimigo, adversário. O PT é o senhor da verdade, acerta em 99,99% das vezes, é o defensor dos pobres, não acoberta corruptos em suas fileiras, é o gerador de empregos, o baluarte da economia. Ora, sabemos que não é assim.

Essa dicotomia da sociedade em dois blocos não é senão um mito. Já Aristóteles observava que só os demagogos dividiam a sociedade em dois campos. Como escreveu um sociólogo, se “político” é aquele que conta apenas o amigo e o inimigo, freqüentemente os maiores conflitos não são provocados por um dos dois, mas por um terceiro...

É realmente séria a degeneração de qualquer partido, porque poderá enveredar numa forma patológica - a facção, com propósitos particulares e meios ilegítimos para chegar ou manter-se no poder. É claro que ainda não chegamos a tanto. Mas, é a própria história quem nos aponta os perigos de atolar-nos num regime de força, desde que o partido dominante transforme-se numa associação parasitária visando menos a aspirações públicas do que a locupletação de seus membros.

É penoso penetrar com mais profundidade em alguns problemas políticos do dia-a-dia, porque acabamos “escarafunchando” (para usar uma expressão do próprio presidente) situações que passam despercebidas para a grande maioria! Que fazer? Cabeça foi feita para pensar... e é o pensar o responsável por enxergarmos melhor os factóides! (Maria da Glória De Rosa)

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