Tribuna do Leitor

Que País é este?


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Este País ainda está muito longe de se tornar a terra dos sonhos dos que o habitam. Um País que perdeu de vez o seu rumo, outrora promissor e que se encontra entregue à bandidagem, quer criminosos perseguidos, quer os já conhecidos colarinhos brancos. País em que as autoridades, por pura incompetência, assistem de camarote a invasão de prédios públicos pelos integrantes do MST, pelos sem-teto, que, numa afronta generalizada, expulsam funcionários e se apropriam pelos dias que bem entendem das dependências do órgão, de lá só saindo mediante duras ameaças e deixando atrás de si o rastro da destruição do patrimônio público.

País que não possui controle dos seus presídios, palcos de constantes rebeliões, oportunidades em que a depredação vai do telhado às enfermarias, funcionários são feitos reféns, funcionárias estupradas, facções rivais que se degladiam até a morte em atos de barbárie. País onde protestos de moradores sempre prejudicam a quem está trabalhando ou retornando para suas casas e encontram nas rodovias bloqueios e queima de pneus. País onde impera o preconceito ao negro, ao índio, ao velho e ao favelado. Que massacra em filas quilométricas diuturnamente, nos postos do INSS, milhões de necessitados, principalmente pessoas de idade já bem avançada.

País que possui infiltrados na gloriosa e centenária polícia, bandidos que fazem suas próprias chacinas, respaldados por fardas e distintivos que deveriam honrar. País onde juiz vende sentença, magistrado manda matar colega, outro que desvia R$ 170 milhões, funcionária que desvia R$ 100 milhões de reais do INSS. País em que fiscais do Ministério do Trabalho são assassinados, missionária é morta por encomenda, políticos desviam dinheiro dos cofres públicos e depositam em paraísos fiscais no Exterior. País onde se atira nas pessoas só para ver a queda, onde as balas perdidas sempre encontram um corpo para se alojar. É, na realidade, um país onde a bandeira desfraldada é a da impunidade, contada como certa.

País que possui em seu perímetro a maior floresta do mundo e que permite que grileiros e madeireiros a devastem quase sem nenhuma interferência do Estado. Aliás, a Floresta Amazônica é rastreada via satélite (Sivam), mas todas as informações colhidas diariamente são remetidas primeiro para os Estados Unidos, onde são filtradas e devolvidas pra nós, apenas o que não interessa aos americanos.

Região Amazônica que encontra-se exposta nos livros de geografia do ensino fundamental e médio dos EUA, estudada com muito critério, explorada palmo a palmo (aqui não orientam nas escolas ), como se fosse propriedade deles. Região Amazônica que possui o maior acervo fitoterápico do Planeta, mas que, infelizmente, suas plantas são analisadas e industrializadas nos laboratórios dos EUA.

O Brasil possui, em 22 Estados, a pior frota de ônibus urbanos da América Latina, verdadeiras tralhas e, como não poderia deixar de ser, uma das passagens mais caras. Milhões e milhões de pais de família vivem na ociosidade, abandonados pelo poder público, desempregados e sem nenhum amparo ou alternativa. Doze milhões de empregos garantidos pelo atual governo, não passou até agora de mais uma das inúmeras promessas demagógicas, assim como o Fome Zero, que nunca saiu do zero. As estradas que cortam o País de Norte a Sul até parece que foram dinamitadas, pois os buracos as deixam intransitáveis, às vezes até por animais. O flagelo das secas, perpetuado desde o descobrimento do Brasil, é assunto predileto, verdadeiro comércio no escambo do voto, da falsa promessa em todas as malfadadas eleições deste País.

Em se tratando de segurança, vivemos numa guerra fratricida, guerra civil, onde as pessoas de bem são forçadas a permanecerem trancadas e acuadas em casa e, mesmo assim, os arrastões, os seqüestros, o tráfico de drogas, as chacinas e a fome são atos de extrema violência, mas que começam a ser vistos quase que naturalmente pelo amedrontado povo brasileiro.

Os menores da Febem, que de menores só têm mesmo a idade, são verdadeiros marginais, perversos, de alta periculosidade, criminosos insanos, sedentos por sangue de vítimas inocentes e que matam por qualquer cigarro de maconha. O que revolta é que a polícia, órgão repressor, não pode tocar em um fio de cabelo destes delinqüentes, porque o pessoal dos direitos humanos se melindra por qualquer coisa que se faça com um vagabundo e o preço é que eles, os “meninos”, vão se aproveitando e fazendo vítimas por onde passam.

Na política, praticamente oito em cada dez eleitos para cargos eletivos neste País, só pensam em se dar bem, encher suas burras, extorquir, praticar a propina e conchavos, empregar os seus num nepotismo que enoja e denigre a política nacional. A prostituição infantil cresce assustadoramente nas cidades, principalmente em nosso litoral (praias e portos ). O ensino público, deficitário, mal estruturado, professores mal pagos, prédios escolares em estado de miséria, inseguros e um ensino muito aquém das necessidades educacionais que nossos jovens precisam para se formar cidadãos.

Não se lamenta muito quando um aluno de oitava série não sabe quem é o presidente da República, mas é muito triste este mesmo aluno afirmar, em pleno desfile pátrio, que não sabe o porquê nem o quê comemora-se no 7 de Setembro. Ninguém é insano para enumerar e detalhar, cronologicamente, o que nos afeta, o que nos falta, o que nos perturba, o que nos frustra, o que nos choca, mas diante de tão poucos itens aqui relacionados, ficamos perplexos e quase em coro, perguntamos: que País é este?

Carlos Cardoso - radialista, escritor e poeta - e-mail: alkasar@ig.com.br

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