As temperaturas baixas do inverno favorecem a produção de verduras e outras culturas, ao mesmo tempo em que muitas pessoas diminuem o consumo desses produtos nesta época do ano. Com uma produção maior e a demanda reduzida, o inevitável reflexo da queda de preços já pode ser observado pelos consumidores nos supermercados.
Ontem, a família de Walderez Valle Bonilha Lisboa aproveitou a disputa de mercado que está deixando mais baratos dois produtos que não faltam à sua mesa: alface e tomate. Segundo ela, mesmo nos dias frios o consumo de ambos não diminui em sua casa.
“Hoje (ontem) eu comprei alface a R$ 0,68 o maço, sendo que antes não encontrava a menos de R$ 1,00 - que já era preço bom. O quilo do tomate estava com preço melhor ainda: R$ 0,17. Aproveitei e fiz uma boa compra, já que em casa nunca pode faltar uma saladinha”, conta Walderez.
Nesse mesmo supermercado, Luiz Acialdi também ficou surpreso com o preço do tomate. “O tomate chegou a custar R$ 1,50. Mas além dele, tem vários produtos mais baratos, como a moranga e a abobrinha, que eu estou pagando hoje (ontem) R$ 0,37 (a abobrinha). Acho ótimo, porque em casa não pode faltar tomate; todo mundo gosta muito”, diz.
O gerente de compras de uma rede supermercadista da cidade, Paulo Sanches, diz que os preços de venda das verduras já caíram cerca de 30% e há possibilidade de novas reduções. Segundo ele, o clima também estaria favorecendo a produção de várias frutas, que assim como legumes e verduras tiveram quedas de preços. Entre elas, laranja, limão, abacaxi, maçã e banana.
“O quilo da laranja está sendo vendido a R$ 0,70, sendo que antes estava em torno de R$ 1,00. Aliás, de maneira geral as frutas estão de 25% a 30% mais baratas. No caso das folhas, a produção aumenta nessa época do ano em função do frio, e isso gera uma disputa de mercado entre os produtores para estimular o consumo desses produtos. O consumidor precisa aproveitar o período e criar novas receitas para poder comprar em maiores quantidades”, sugere Sanches.
Os produtores de verduras Shigeru Sato e Tadaci Ohouan dizem que a redução de preços é comum nessa época do ano.
“As pessoas comem menos salada no inverno e nós produzimos mais porque as temperaturas mais amenas são boas para as folhagens. Mas de três anos para cá, a queda do consumo neste período vem sendo menor do que antigamente, pois as pessoas estão se preocupando mais em ter uma alimentação saudável”, observa Sato.
De acordo com o meteorologista José Carlos Figueiredo, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IpMet) da Unesp-Bauru, hoje podem ocorrer chuvas em todo o Estado de São Paulo, inclusive em Bauru. A partir de amanhã, as nuvens diminuirão e as temperaturas subirão um pouco.
“Até sábado, a temperatura máxima deve oscilar entre 24 graus e 26 graus no período da tarde, por volta de 16h. As temperaturas mínimas ocorrerão na madrugada e início da manhã, ficando entre 14 graus e 16 graus”, informa o meteorologista.
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Aproveitamento
Para aproveitar as quedas de preços de folhas, legumes e frutas, a nutricionista Suemi Ariki passa algumas dicas e orientações, a pedido da reportagem. Segundo ela, a conservação desses alimentos deve ser feita sob refrigeração, pois o frio retarda o processo de deterioração. A temperatura ideal é em torno de 10 graus. Devem ser guardados em recipientes plásticos ventilados e colocados na parte inferior da geladeira.
“O congelamento também é uma forma eficaz de conservação, preservando características como cor, sabor e propriedades nutritivas. Apenas alimentos frescos devem ser congelados (principalmente frutas). Para manter os nutrientes, é indispensável resfriar os alimentos rapidamente após o cozimento ou fervura. No freezer ou congelador, eles devem ser embalados”, orienta.
Ainda de acordo com Suemi, uma vez descongelado, o alimento não pode voltar ao freezer, exceto se tiver sido transformado em prato pronto. A nutricionista também sugere usar a criatividade para aproveitar os preços baixos em pratos diferentes.
Além da receita descrita no quadro acima, ela sugere sopa de abóbora, rocambole de repolho, strogonoff de legumes e bolos usando produtos como laranja, beterraba e cenoura, além das verduras cozidas. No site www.sesisp.org.br, do Serviço Social da Indústria (Sesi), há várias receitas econômicas e saudáveis.