A Prefeitura Municipal de Bauru deve oferecer vale-alimentação aos servidores para suprir o fim da operação da cozinha do Caic da Vila Nova Esperança. A discussão sobre a mudança no programa de alimentação do servidor foi feita ontem à tarde, em mais uma rodada de negociação com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) referente à campanha salarial deste ano.
O secretário municipal da Administração, Fernando Ferreira Jorge, e o chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli, apresentaram as alternativas para a manutenção do serviço de alimentação ao servidor em substituição à cozinha industrial. Ambos apontam para o vale-alimentação como a melhor alternativa. Outras opções são o cartão magnético e, em último caso, a terceirização.
“Uma das vantagens do vale-alimentação é que o dinheiro que hoje vai para os fornecedores de alimentos de fora da cidade fica no comércio local, sobretudo com pequenos comerciantes em bairros onde a prefeitura tem postos de trabalho itinerante”, defende Canalli.
O chefe de Gabinete também aponta para a necessidade do fim da logística com compras, preparação e distribuição de alimentos com estrutura própria. “A prefeitura tem uma enorme estrutura de logística para garantir a compra dos alimentos, desde a licitação, com serviços administrativos e jurídicos, edital, depois com o armazenamento, controle e estocagem, distribuição dos produtos até a cozinha, preparo dos alimentos em uma área já ultrapassada, e distribuição do alimento pronto para os servidores. Isso tudo será eliminado”, argumenta.
Conforme Canalli, na reunião com a direção do Sinserm ficou acordado que a definição sobre a substituição do programa sairá de novo encontro marcado para o dia 15 de julho. “Temos 68 pontos itinerantes de distribuição dos alimentos e este é o complicador que vamos verificar em relação ao vale. Temos que ter garantias do fornecimento da alimentação nesses pontos, nas frentes de trabalho. Vamos definir na reunião do dia 15”, conta.
Fechando a negociação
O secretário da Administração, Fernando Ferreira Jorge, confirmou que foi apresentado ao sindicato as alternativas ao fim da operação da cozinha no Caic e concluída a fase de discussão das cláusulas sociais da campanha salarial de 2005.
O governo não quis antecipar, mas há uma expectativa de apresentação de proposta de reposição salarial na reunião do dia 15. “A discussão sobre cláusulas econômicas também está sendo feita com a participação da Secretaria de Finanças, que analisa o comportamento das receitas para que a proposta seja apresentada na próxima reunião”, comenta.
Sobre a alimentação do servidor, ainda falta definir o custo da implantação do vale-alimentação, o valor unitário a ser oferecido e o limite salarial para adesão. Um dos referenciais é o padrão 15-I da tabela salarial oficial, o que significaria que teriam direito ao vale-alimentação os servidores que ganham até próximo de R$ 740,00.
Outro detalhe que parece adiantado em relação ao programa de alimentação é que a área de saúde continuaria a adquirir a refeição pronta, através de licitação.
Atualmente, cerca de 1.750 servidores recebem refeições diárias, mas a capacidade da cozinha seria de 600 unidades, conforme relatório sobre o sistema relativo ao exercício passado.
Do total, em torno de 800 seriam distribuídas por marmitex e a outra parte em caixas térmicas para grupos de servidores em setores operacionais. Um caminhão percorre os diversos pontos, com exceção da área de saúde que distribui os alimentos em veículo próprio.
O Sinserm vai discutir a proposta para se posicionar. Conforme os dados do relatório sobre o programa de alimentação mantido na cozinha industrial do Caic, cerca de 24 profissionais atuam no setor, consumindo, por dia, 60 quilos de feijão, 120 quilos de arroz, 130 quilos de carne e 12 caixas de verdura. O custo unitário por refeição estimado pelo documento é de R$ 6,68, mas alguns indicadores utilizados nas planilhas estão sendo revistos.
Segundo Fernando Jorge, a cozinha do Caic deixaria de ser operada pela prefeitura com o novo programa. As profissionais que atuam na área, todas servidoras concursadas, serão distribuídas para outras áreas do governo.