Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
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• FHC e a crise

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nunca esteve tão requisitado nos últimos dois anos e meio como agora. Os motivos são óbvios. Sexta-feira, em Lins, onde foi fazer uma palestra no Frigorífico Bertin, ele falou com o Jornal da Cidade sobre a crise política que se abate sobre o País. A matéria está na página 4 de hoje.

• Postura cautelosa

Pode-se concordar ou discordar do que ele diz ou do que ele fez enquanto presidente, mas uma coisa é certa: sua postura, que orienta todo o PSDB no País, tem sido cautelosa. Basta ver a pregação que ele faz no momento contra a divisão do País em dois - os contra e os favor do presidente Lula. Pode-se dizer que é oportunismo, mas o fato é que o perigo existe e é real.

• Moralidade pública

A corrupção nas altas esferas do poder não seria uma surpresa, até porque tem sido uma constante e todos sabem que existe há tempos, em qualquer esfera de poder. O grave é o fato de os escândalos abalarem justamente o partido sobre o qual estava depositada toda a confiança em dias de moralidade pública. Não há nada provado ainda, mas a descrença é grande e a tendência de uma revolta mais contundente é quase palpável. Na Internet, por exemplo, já circulam convocações para uma mobilização de massa nas ruas.

• Muita serenidade

Neste sentido, então, é bom que a oposição seja muito criteriosa em suas análises e posicionamentos. Claro que ela vai tirar sua “lasca” eleitoral deste e de outros episódios, como o “Caso Waldomiro”. Mas não deve, jamais, apostar em um “Fora Lula”. A sociedade brasileira amadureceu o suficiente para não ceder a tentações maniqueístas. É preciso firmeza, sim, mas com muita serenidade.

• “Chavinização”

Além da análise e postura estadistas que procuram demonstrar, os caciques tucanos teriam um temor secreto quanto ao desfecho de uma crise do tamanho da que o governo federal enfrenta: a “chavinização” (Hugo Chávez) do País. De acordo com informações que o JC obteve junto a um tucano do alto clero, o PSDB acha que se a atual situação recrudescer, o presidente Lula poderia invocar sua boa popularidade para fazer um apelo altamente populista numa tentativa de “governar apenas com o povo”.

• Prioridade e foco

E por falar em governar, em Bauru o prefeito Tuga Angerami (PDT) faz um balanço de seis meses de governo. No saldo geral, anos e mais anos de demandas reprimidas e um milhão de frentes para atacar. Vai ter, inevitavelmente, de fazer algo que este jornal defende desde o início da atual administração: priorizar, discutir isso com a população e focar - para usar um termo em voga na gestão empresarial.

• União e motivação

A essa altura, com a ajuda de alguns secretários de ponta, como o de Finanças, por exemplo, Tuga já deve ter claro o que será possível realizar com o que dispõe de recursos de curto, médio e longo prazo. O que vier, será lucro. Mas é importante que ao menos ele comunique seu planejamento à população, já que parece não haver tempo para muitos debates. É uma forma eficaz e esperada de unir e motivar a cidade em torno de objetivos comuns.

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