Cultura

‘Fashion Week está mais comercial’

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

As roupas malucas e totalmente improváveis de se encontrar nas ruas da cidade estão dando espaço a peças mais comerciais nas passarelas do São Paulo Fashion Week (SPFW). A avaliação é da consultora de moda Maria Fernanda Hinke, de Bauru, que esteve no pavilhão da Bienal, em São Paulo, para conferir alguns dos desfiles.

“Digamos que 50% das peças desfiladas nem chegam a ir para as lojas. As outras 50% são peças que são usadas para compor visual, ou seja, são usáveis. Apesar de o negócio da moda estar em ascensão, os estilistas estão preocupados em vender porque moda é um grande negócio. Eles não fazem só para aparecer”, avalia.

Na moda masculina, a tendência de aproximar as coleções do dia-a-dia das pessoas foi mais perceptível na 19.ª edição do evento. “Todas as coleções estão altamente comerciais. Na moda masculina, não tem muito o que se mexer em termos de estrutura. Alguns anos atrás, os estilistas faziam coleções que não resultavam em comércio porque não se encaixavam no estereótipo masculino”, explica Maria Fernanda, citando o desfile de Ricardo Almeida, no primeiro dia do evento.

Apesar disso, as passarelas do SPFW ainda são (e talvez sempre serão) local para que os profissionais da moda extravasem criatividade e inspiração. “É tudo de uma forma muito exagerada. Aquilo que você vê na passarela de uma forma extremamente louca, vai ser apenas um detalhe numa peça final no ponto de venda”, afirma a consultora.

Segundo Maria Fernanda, que é professora de marketing de moda no Serviço Nacional do Comércio (Senac), a 19.ª edição do SPFW abusou da brasilidade em alguns desfiles temáticos, como o feminino da Cavalera, sem deixar de lado as tendências mundiais. Além disso, reafirmou o jeans como peça curinga. “Você pode ir à escola, a uma balada ou a uma festa com jeans. A Zoomp e a Fórum apresentaram propostas de uso novas, por exemplo”, diz.

O destaque de Maria Fernanda vai para a coleção de Isabela Capeto, que trabalhou com colagens de tecidos recortados. “Ela é uma grande artista”, frisa. “90% dos desfiles fizeram uma proposta de moda romântica. Uma moda muito feminina, muito inspirada nos anos 70, com muito bordado, muita estampa e miscigenação de cores. Contrastante e harmônica”, acrescenta.

A consultora de moda, que fez a cobertura do SPFW com o fotógrafo Carlos Hinke para o site Bauru na Balada (www.baurunabalada.com.br), enfatiza a importância crescente da moda no Interior paulista. “Moda é cultura. Você precisa ter informação para decodificar um desfile apresentado no Fashion Week. Bauru, por exemplo, vive de comércio e é necessário que o vitrinistas e lojistas, entre outros profissionais, estejam antenados com o mundo da moda”, conclui.

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