Ninguém consegue visitar Maceió e voltar para casa sem alguma lembrança do Pontal da Barra ou das feirinhas de artesanato da Pajuçara e da Jatiúca.
Bonecas de barro, cestaria colorida, artesanato em madeira, filé, labirinto, rendendê, ponto de cruz e renascença são marca registrada do rico artesanato alagoano que vem a cada ano ganhando mais espaço no Brasil e no mundo.
Expressão cultural dos alagoanos, o artesanato amplia divisas e gera empregos em pequenos núcleos ao redor da Capital e no Interior.
Um dos melhores exemplos vem do Pontal da Barra, um bairro gracioso a poucos quilômetros de Maceió, com muitas mulheres na calçada.
Artesãs de mão cheia, depois dos afazeres domésticos instalam-se em frente a pequenas portas de madeira, da qual saem peças coloridas e bordadas à mão.
Os nomes dos pontos, pronunciados devagar e com orgulho pelas rendeiras do Pontal da Barra, fazem parte da tradição do bairro, reduto em Maceió do artesanato regional.
O bairro, de construções antigas recuperadas, é todo das rendeiras, que até hoje mantêm a tradição familiar de fazer seus bordados sentadas na frente das casas, transformadas em pequenas lojas. Ocupam seis quarteirões, que saem de uma pracinha, formados somente pelo pequeno comércio. Toalhas, saias, calças, almofadas, cintos, bolsas, guardanapos, cortinas, lenços e tudo o mais que a criatividade das mulheres inventar ficam pendurados nas portas e janelas, balançando com o vento na calçada. Tecidos brancos, vermelhos, verdes, azuis, com vários tipos de bordados e rendas são vendidos por preços que vão de R$ 10 para um conjunto de guardanapos, por exemplo, até R$ 100 para uma cortina feita à mão.
“Desde os cinco anos trabalho aqui. Toda a minha família faz isso. Minha mãe, minha irmã, as crianças”, diz Ana Paula de Oliveira, de 24 anos, que passa os dias bordando na tela de madeira. “A gente mesmo vai criando, por isso que cada peça fica diferente da outra. A gente muda a cor, muda o ponto”, completa a amiga Isa Cordeiro dos Santos, que veio do interior de Alagoas para trabalhar como rendeira em Maceió.
Infância
O cenário, segundo elas, é o mesmo da infância: portas abertas com peças penduradas e os turistas com máquinas fotográficas e sacolas de compra na mão observando e tocando a mercadoria. No entanto, hoje as portinhas de madeira exibem bandeiras de cartão de crédito e débito. E a presença masculina no bordado, até então inexistente, agora divide espaço com as tradicionais mulheres. “Aprendi de olhar, quando tinha 7 anos”, conta Robson Francisco da Silva, enquanto termina de bordar um jogo americano na única loja do Pontal comandada por um homem.
• Serviço
Núcleo Artesanal do Pontal da Barra - Na Lagoa Mundaú. Todo dia, das 8 às 18 horas. Feirinha de Artesanato da Pajuçara - Av. Dr. Antonio Gouveia. Todo dia, das 10 às 22 horas. Mercado do Artesanato - Rua Melo Moraes, 617. De segunda a sexta das 8 às 18 horas; sábado, das 8 às 12 horas. Centro de Artesanato - Rua Sá e Albuquerque, 367.