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Quando os lobos não precisam soprar...


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Era uma vez uma floresta rica, linda e encantada. Mas que nela mandava um lobo-mau que a corrompia. Ele explorava, maltratava e alimentava-se de outros animais que, impotentes diante de tanta maldade, não podiam fazer quase nada para se livrarem de tamanha tirania. Assim, a maior parte dos habitantes vivia no sofrimento e na pobreza.

Certo dia, três porquinhos, cansados de tanta perseguição, resolveram dar um fim naquela eterna injustiça. Decidiram construir um lugar seguro para se proteger. Primeiro, levantaram uma casa de palha. Não foi fácil. O capim era abundante, mas o lobo não proporcionava uma distribuição igualitária e os porquinhos tiveram que lutar muito para erguê-la. Finalmente, conseguiram! Mas o lobo soprou... E a casa ruiu.

Então, perceberam que sozinhos não iriam conseguir nada. Como a união faz a força, juntaram-se às ovelhas da floresta -históricas vítimas do lobo- e construíram uma segunda casa, mais forte. De madeira! Mas o lobo soprou... E a casa ruiu.

Depois de muito pensar, planejar, organizar... Os três porquinhos, as ovelhas e com a ajuda de tantos outros injustiçados da floresta, mobilizaram corações e mentes para enfrentar, sem medo da felicidade, o temível vilão. E construíram uma casa de tijolos. Escolheram o terreno, fizeram o alicerce, levantaram as paredes. A casa ia crescendo com resistência e firmeza.

Conforme a construção avançava, mais e mais animais iam chegando. Bichos de todos os cantos da floresta. Saiam dos buracos, das tocas, dos tocos... Vieram as aves, das suaves rolinhas às de rapina que, por enxergarem de longe uma possível derrota do lobo, também se juntaram.

Não faltaram os insetos e algumas lagartas, e não podemos esquecer também da presença de muitos outros membros da matilha que, disfarçados ou nem tanto, chegaram para a festa. Enfim, a casa ficou pronta! Mas o lobo não soprou... Não arrombou as janelas nem arrebentou as tramelas. Como convidado de honra, entrou pela porta da frente, sentou no sofá da sala, colocou os pés na mesa e... Cráu! Comeu a Chapeuzinho Vermelho.

E os lobos viveram felizes para sempre...

O autor, Luís Victorelli, é jornalista e diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. lvict@terra.com.br

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