Não é gratuito, mas em Bauru já é possível dar a destinação ecologicamente correta a lâmpadas fluorescentes usadas. Hoje, pela primeira vez na cidade, serão trituradas e descontaminadas mais de três mil unidades arrecadadas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) desde maio do ano passado, quando começou a receber o material que contém gazes tóxicos, principalmente mercúrio. O elemento químico polui o ar, a água e o solo e é uma ameaça à saúde humana porque é cumulativo e pode causar problemas neurológicos e até infarto.
“Preocupados com a contaminação do meio ambiente e com o índice de acidentes envolvendo coletores na hora de recolher as lâmpadas fluorescentes colocadas junto com o lixo comum, passamos a receber o material à parte, aqui no Setor de Coleta”, explica Nivaldo Aparecido Rio Peres, supervisor de meio ambiente e educação ambiental da Emdurb.
A partir de então, a Emdurb passou a orientar empresas e a população a entregar as lâmpadas usadas no Setor de Coleta, serviço para o qual cobra R$ 0,50 a unidade. “É um produto perigoso. Se for para o aterro, contamina o solo e lençol freático. Se quebrar, contamina quem estiver perto e o corte provocado pela lâmpada fluorescente é de difícil cicatrização”, frisa.
De acordo com Peres, por enquanto, praticamente apenas empresas entregam lâmpadas fluorescentes usadas na Emdurb, retirando-as do lixo comum. Uma delas é a Ebara, indústria que fabrica motobombas submersas para o mercado interno e exportação. “Já fizemos três entregas. Na primeira vez foram de 80 a 100 unidades. Na segunda entrega foram 35 e na terceira, 40 lâmpadas”, conta Marcos Douglas Gavaldão, responsável pela área de segurança de trabalho na empresa.
Ele conta que juntamente com Cláudia Regina da Cunha Taira Comin, assistente de projeto da Ebara, passou a guardar as lâmpadas fluorescentes e entregá-las na Emdurb porque a empresa determina a destinação correta de resíduos em geral. “Fizemos pesquisa para saber qual era a destinação correta e verificamos que a Emdurb estava recolhendo. O ideal seria ter mais pontos para entrega dessas lâmpadas, para facilitar para a população”, comenta.
Com um lote grande de material arrecadado, a Emdurb fez cotação de preço e contratou a Witzler Tecnologia Aplicada ao Meio Ambiente, uma empresa de Bauru, para dar a destinação correta às lâmpadas fluorecentes pagando R$ 0,42 por unidade. “A tecnologia que usamos é americana: a lâmpada é triturada e descontaminada no local onde estiver, sem a necessidade de transporte. No final, resta um resíduo que precisa ser depositado em um aterro especial, na região de Paulínia, mas o volume é reduzido”, explica o engenheiro Fernando Marques, diretor comercial da empresa.
A trituração e descontaminação das lâmpadas fluorescentes será feita hoje, a partir das 9h no pátio da Diretoria de Limpeza Pública da Emdurb, que fica na rua Manoel Garcia 1-80, atrás da Regional Centro.
• Serviço
As lâmpadas fluorescentes devem ser entregues no Setor de Coleta da Emdurb, que fica na rua Aparecida, 1-09, fundos, Centro.
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Saiba mais
• O que é lâmpada fluorescente
Tubo com cobertura interna de fósforo que contém mercúrio e outros gazes
•A vantagem
A lâmpada fluorescente ilumina mais que a lâmpada incandescente
•A desvantagem
O mercúrio e outros gazes do interior da lâmpada fluorescentes são tóxicos
•Como polui
Se a lâmpada fluorescente quebrar, o mercúrio, em forma de vapor, se propoga no ar, tornando-se fonte imediata de poluição através da inalação. Ao se propagar no ar, vai se resfriando e retorna ao estado metálico, podendo contaminar o solo e fontes de água
•O que o mercúrio causa
A ação do mercúrio no organismo se manifesta, principalmente, nas células do sistema nervoso provocando tremores. Como não é eliminado pelo organismo, seu acúmulo no corpo humano pode provocar desde complicações gastrintestinais até derrames e infartos
Fonte: Witzler Tecnologia Aplicada ao Meio Ambiente
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Legislação
A Lei Estadual 10.888, de 20/09/2001, regula o descarte de baterias, pilhas e lâmpadas fluorescentes e frascos de aerossóis por serem classificados como produtos perigosos. “A destinação correta de pilhas e baterias foi normatizada pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). O vendedor é obrigado a recolher e o fabricante a dar a destinação correta. Mas a lei que normatiza as lâmpadas fluorescentes está em vias de aprovação no Conama”, explica Fernando Marques, diretor comercial da Witzler Tecnologia Aplicada ao Meio Ambiente.
A empresa foi fundada há 15 anos em Bauru, inicialmente com atuação nas áreas de projetos e instalações elétricas e telecomunicações. “Com a necessidade da destinação correta das lâmpadas fluorescentes, houve uma ramificação de atividade na empresa. Nos Estados Unidos e Europa, o tratamento ecológico já é feito”, diz Marques.