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Empresários querem reaproveitar farelo que atualmente é descartado

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O empresário do couro de Bocaina Marcos Moretto acha que reaproveitar o farelo do couro é sinônimo de economia e ganho ao mesmo tempo. “Estamos levando para Paulínia no aterro sanitário deles. Entre frete e depósito gastamos algo em torno de R$ 82,00 a tonelada, porque aqui não tem aterro. Todos os empresários daqui enviam para lá.”

Ele acredita que com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai colocar a empresa de transformação em funcionamento. “Fizemos a infraestrutura para montar a empresa que transforma farelo em placas que podem ser transformadas em palmilhas, porém o investimento é alto e não tivemos condições de prosseguir.”

Ele explica que a empresa de reaproveitamento de material a princípio vai fabricar palmilhas usando os resíduos que sobram da raspa do couro. “É o que sobra. É lixo que ao invés de ser mandado para Paulínia gerando custo, poderá ficar e gerar rendimentos.”

As sobras, segundo ele, são fruto do farelo que sai quando o couro é "raspado" para ficar da espessura exata que o cliente precisa. “O couro chega do curtume e temos que deixá-lo na espessura que vamos usar. A parte que sai vai para o aterro, é o lixo, é o farelo.”

O farelo, de acordo com ele, nada mais é do que do que um aglomerado de fibras. “Para se ter uma idéia, pode se comparar com um aglomerado de madeira. Com essa placa de madeira é possível fazer várias coisas, como divisórias etc. A empresa foi planejada para consumir 130 mil toneladas/mês.”

Menos poluentes

O empresário explica que a raspa do couro gera muito mais farelo do que o couro. “O couro gera menos farelo. A raspa é mais voltada para a confecção de EPIs. O couro é para sapato e bolsas, é a parte mais nobre. Quando ele é retirado do boi sai grosso e é subdividido. A parte do couro onde você engraxa o seu sapato e a raspa que é a mais felpuda. Com a parte nobre da raspa se faz a camurça, com a parte mais fraca se confecciona luvas. São duas camadas com várias qualidades.”

Para melhor entender, Moretto faz questão de frisar: “O couro sai do boi com o pêlo. É no processo de curtimento que ele é tirado. Aquela parte que fica próximo da carne do boi é tirada e vai para a indústria de gelatina, sabão etc. O couro não curtido é pura fibra. O couro curtido se torna um couro wet blue.”

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