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Classe política em ‘xeque’


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O estrangeiro que chegar ao Brasil por esses dias deve ficar perplexo e estarrecido. Ao abrir as páginas dos jornais e das revistas, ligar os aparelhos de televisão ou ouvir as emissoras de rádio, vai ser torpedeado pelas informações de corrupção que assolam o País. Para os brasileiros que vivem aqui, o sentimento é de indignação e a crise política e moral tem dimensões imprevisíveis. As denúncias que se sucedem e se repetem deixam o governo, o Congresso e a classe política desnudos perante uma população incrédula. Novos fatos surgem a cada momento e o noticiário se tornou uma grande página policial sem precedentes.

Os detentores do poder falam a todo momento em golpismo, na tentativa de mascarar uma realidade escancarada aos olhos de todos, tentam radicalizar numa esquizofrenia política sem paralelos, quando o momento é de assumir suas responsabilidades. Há uma nítida indisposição das elites petistas em lidar com a democracia, apregoada por mais de 20 anos quando o partido estava na oposição. As denúncias sobre o mensalão e as investigações das CPIs têm que ser o mais abrangente possível e o governo tem que sair do marasmo que o está caracterizando e partir para atitudes mais contundentes, pois corre o sério risco de se esvair no meio de tantas denúncias. Está na hora de uma operação “mãos limpas”, ou outro nome que se queira emprestar para uma situação como esta, para evitar uma revolta popular.

Paralelamente a essa séria crise política, projeções feitas por economistas em Basiléia, na Suíça, afirmam que o crescimento da economia brasileira será o menor entre os países emergentes, mostrando, também, que o Brasil está indo na contramão no que se refere às taxas de juros praticadas na América Latina nos últimos três anos. A dívida pública brasileira representa 52% do PIB e dificilmente o País alcançará o crescimento verificado em 2004, que foi de 5%.

O governo espera sair da defensiva com o início de uma série de operações da Polícia Federal contra os setores que estão sofrendo denúncias nas últimas semanas. Se algum fator pode provocar alterações significativas no padrão moral e ético desta administração é o constrangimento que a reação dos brasileiros, acordados pela imprensa, está provocando nos que maltrataram a coisa pública. Só há um remédio para todos esses males: a investigação séria, isenta e a conseqüente punição dos culpados.

A sociedade brasileira mudou e pede cada vez mais mudanças, não aceitando mais a falta de ética e de honestidade na política. Exige um comportamento exemplar dos nossos governantes e está na hora de trabalharmos para que isso aconteça. Pode até parecer que o eleitor brasileiro está num beco sem saída, mas acreditamos que seja possível dar a volta por cima e ver o lado bom da questão. Com certeza, essa situação difícil que estamos passando deverá fortalecer o senso crítico do eleitor que vai procurar votar mais conscientemente nas próximas eleições. É preciso aprender que a escolha depende muito de quem escolhe e do comprometimento moral de ambas as partes.

O autor, Benjamin Ribeiro da Silva, é diretor-tesoureiro do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares

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