É impressionante como, no Brasil, não existe o sentimento de intolerância em relação ao desmatamento em grande potencial e sempre os mais fracos acabam ficando com a maior parte da culpa que (às vezes) nem eles mesmos foram responsáveis.
Em pleno Século XXI o Brasil sofre desmesuradamente com o desmatamento presente no Norte do País. Só no Mato Grosso a área desmatada já ultrapassa o tamanho do estado de Alagoas.
Tive o prazer de conhecer e entender o funcionamento de alguns assentamentos do MST, em especial o de Brasília Paulista (Piratininga). E vi que a área conquistada para o plantio também continha áreas (que nem reserva ecológica era) não desmatadas, me impressionei com o respeito com que eles mantêm aquelas áreas intocáveis e protegidas.
Por outro lado, nos deparamos constantemente com reportagens e dados de latifundiários que derrubam quilômetros de Matas Ciliares diariamente, atrás de pasto para seu gado tão lucrativo ou de terras para suas plantações monopolizadas.
Frente a isso uma pergunta me aflige: será que é tão difícil rompermos com essa cultura de “deuzificação” dos poderosos enquanto os menos favorecidos respondem por danos que nem sempre são eles que causam?
O Meio Ambiente é prioridade, aliás, incontestável, e é por isso que me preocupo substancialmente com o progresso e o avanço de culturas monopolistas no Norte do país, e também com esse progresso de nossa região, principalmente com o avanço do cultivo da cana-de açúcar, mas culpar fracos que não desmatam para plantar porque entendem que o vínculo com a terra é muito mais forte do que o lucro que eles esperam e cuidam da terra (Terra) como uma grande mãe (Gaia), com uma espiritualidade centrada na preservação ambiental respeitosa daquilo que lhes dá o sustento.
Assim, não temos o direito, e muito menos a moral, de culpar os Trabalhadores Sem Terra por um dano que eles também se preocupam. É como se culpássemos os profissionais do turismo pelos arrastões ocorridos aos turistas no Rio de Janeiro no último ano.
Só espero que a Vida (abundante) esteja presente em qualquer lugar, de maneira principal naqueles lugares onde o que liga o Homem à terra não seja exclusivamente o dinheiro.
Vanderson Aparecido da Silva - RG 32.984.775-2