Bauru 109 anos

Mortalidade materna: Trabalho silencioso

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Um trabalho de formiguinha, lento e consciencioso, é realizado e repensado diariamente em Bauru para reduzir o índice de mortalidade materna e melhorar as condições de vida das cerca de 100 mil mulheres em idade fértil da cidade. A informação mais recente, de 2004, aponta que a taxa é de 41,26 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos.

Em dados brutos, a taxa poderia ser traduzida por duas mortes de mulheres por problemas decorrentes antes, durante ou após a gravidez no município. “Aparentemente, é pouco, mas o índice é considerado alto pela Organização Mundial de Saúde”, afirma a enfermeira Heloísa Ferrari Lombardi, presidente do Comitê de Mortalidade Materno-Infantil de Bauru.

Em relação ao Estado, Bauru apresenta índice positivo, mas essa perspectiva muda quando a Organização das Nações Unidas (ONU), em seu documento sobre o Objetivo 5 do Desenvolvimento do Milênio – Melhorar a Saúde das Gestantes –, utiliza como referência países de maior desenvolvimento, como os europeus, em que a taxa oscila entre 11 e 36 óbitos de mulheres por causas relacionadas à gravidez e ao parto por 100 mil nascidos vivos.

Por conta disso e do dinamismo próprio da sociedade, os programas de saúde voltados à bauruense e o treinamento dos profissionais do setor são constantemente repensados. “Os programas não podem ser estáticos”, sustenta Lombardi.

A reflexão contínua se baseia nos dados coletados pelo comitê referentes às causas de mortes de mulheres em idade fértil (de 10 – por conta da gravidez precoce – a 49 anos) bem com de crianças menores de 5 anos. E é aí que entra um trabalho minucioso, desconhecido por grande parte da população mas importante para se pensar a melhoria da qualidade de vida de mulheres e crianças da cidade.

“Nem sempre pela declaração de óbito é possível checar se as mortes são decorrentes da gestação, do parto ou do puerpério – período de 40 dias após a mulher dar à luz –, por isso realizamos visitas domiciliares a parentes das vítimas, checamos as condições de vida dessas pessoas, o pré-natal, as intercorrências, as consultas feitas nos postos de saúde, além dos prontuários. Esgotamos todo e qualquer ponto para chegarmos a um diagnóstico preciso dos casos”, explica Lombardi.

E são desses dados que serão compostos os relatórios mensais do Comitê de Mortalidade Materno-Infantil, que, por sua vez, irá rediscutir programas, sugerir treinamento de profissionais e rever procedimentos e atendimentos. “Há mortes evitáveis, que passam por ações dentro do posto de saúde ou envolvem condições de saneamento ou orientação dos munícipes”, diz a presidente do órgão.

Os relatórios também servem de guia para a realização de trabalhos voluntários junto a comunidades carentes, em que o acesso aos serviços de saúde, educação e saneamento não é o ideal. A maior parte dessa atividade voluntária envolve membros de instituições de ensino superior ou entidades religiosas, em que o interesse pela pesquisa, estudo e extensão e o ideário religioso se unem para melhorar a qualidade de vida do próximo, no caso, mulheres que respondem a cada ano por cerca de 4.800 nascimentos na cidade, de acordo com dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Objetivo

Melhorar a saúde das gestantes

Meta

• Reduzir em 75%, entre 1990 e 2015, as taxas de mortalidade materna

Estratégias

• Melhorar o acesso das mulheres à serviços de saúde de boa qualidade, incluindo prevenção à gravidez

• Manter serviços de planejamento familiar e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis Oferecer assistência ao parto com profissionais qualificados

• Dar continuidade aos programas de saúde da mulher, com avaliação constante das políticas e de seus efeitos e o estímulo à participação da comunidade

Fonte: ONU

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