Além das ações governamentais, a questão da saúde à gestante é atacada por grupos ligados a entidades religiosas. O trabalho é realizado por voluntários e tem como objetivos orientar e acolher as mulheres que irão dar à luz.
A Pastoral da Criança é um dos grupos que desenvolve o trabalho na cidade. O foco é educativo, de orientação às famílias por meio de visitas domiciliares periódicas.
Nelas, as agentes checam as condições sociais de crianças de zero a 6 anos por meio da pesagem e orientam as mães sobre a importância da alimentação, prevenção à violência, entre outras situações.
Atuante há 16 anos em Bauru, a Pastoral da Criança está presente em nove das 25 paróquias da cidade por meio da atuação de 160 voluntários. Eles atendem cerca de 1.100 crianças e mulheres grávidas, muitas das quais são acompanhadas e recebem orientação mês a mês da gestação, a fim de evitar que problemas decorrentes da gravidez resultem na morte de bebês, principalmente na primeira semana de vida.
Garantir uma gravidez mais saudável e emocionalmente mais estável também é a proposta do Projeto Gestar, mantido pelo Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) há 20 anos e responsável pelo atendimento a gestantes em seis pontos da cidade.
Na sede da entidade, no Centro de Bauru, e em outras cinco unidades, as gestantes realizam curso de dez semanas, em que aprendem noções de saúde durante a gestação, o parto e para cuidar do bebê, além de orientações sobre relacionamento com os demais filhos e companheiro. Todo o conteúdo é resultado de apostila montada por médicos, psicólogos e professores.
“Muitas chegam até nós desesperadas, passando fome, sem emprego e abandonadas pelo companheiro. Acolhemos essas gestantes para que recebam suporte emocional, informações para manter uma gravidez saudável e, em alguns casos, suplementação alimentar para evitar a desnutrição. É um trabalho imprescindível”, avalia a dona de casa Sheila Guedini Ribeiro, coordenadora do Projeto Gestar.
O curso é ministrado por voluntários e é gratuito, bastando à gestante levar a carteirinha do posto de saúde para comprovar participação em programa de pré-natal do município. Ao final, a participante recebe um enxoval de 35 peças para o bebê, também produzido por voluntários da entidade – com exceção das fraldas, doadas pelo Ceac.
“Há histórias tristes e muitas vezes não podemos fazer muito, mas procuramos envolvê-las numa boa vibração, para que se sintam preparadas e estimuladas a receber o bebê. É um trabalho gratificante”, assegura a voluntária Mercedes Zanardi Zanatta, que utiliza a experiência adquirida como professora para dar parte das aulas do curso.