Na Vila Aviação, entre as ruas das Festas e Prof. Antonio Reis F., próximo à Cidade Jardim e antes de chegar ao viaduto, há um lamentável cenário de devastação. Uma área, equivalente a uma quadra ou mais, outrora com vegetação nativa do cerrado (já quase em extinção), foi inteiramente desmatada e queimada. O cenário é desolador, reflexo de desmandos e insensibilidade. A área queimada está localizada em um lugar privilegiado e deve pertencer a poderosos locais. Segundo testemunhas, ali havia árvores frondosas, mata nativa e fauna variada. Primeiramente foram cortadas as árvores centrais, ninguém percebeu. Depois a motosserra derrubou o restante e, num final de semana, queimaram tudo.
Ali havia macaquinhos, aves e outros animais. Alguns fugiram, outros morreram. Os ninhos foram destruídos. Vários órgãos públicos foram acionados e denúncias foram feitas. Creio que sem autorização não fariam o desmatamento. Entretanto, infringiram a lei ao efetuar a queimada. A multa precisa ser rigorosa para que essa nociva prática, que permeia entre os cidadãos ditos “civilizados”, possa terminar um dia. Há uma inversão de valores. As pessoas destróem primeiramente as árvores nativas para depois pensar numa futura arborização. Aquele rico ecossistema nunca mais será recuperado. O bom senso, o paisagismo avançado e criterioso e a política de preservação aconselham que a construção é que deva ser adaptada e idealizada em função da matéria-prima que a natureza, generosamente, nos oferece. Tratores e motosserras derrubam em algumas horas o que a natureza levou décadas ou mesmo séculos para construir. Um planejamento inteligente e especialmente generoso deveria nortear todas as ocupações do solo.
Pedro de Souza Meira - RG 27.849.708-1