Economia & Negócios

Ritmo de locação diminui em Bauru

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

As negociações de locação de imóveis em Bauru se mostram estabilizadas este ano num comparativo com os sete primeiros meses de 2004. No último mês, entretanto, o ritmo na formalização dos contratos diminuiu. A perspectiva das empresas imobiliárias é que a procura por imóveis residenciais aumente nas próximas semanas em virtude da aprovação dos estudantes nos vestibulares e a mudança para Bauru.

Estima-se que Bauru tenha, aproximadamente, 20 mil estudantes no ensino superior.

O conselheiro estadual do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP), Giasone Albuquerque Cândia, aposta que essa desaceleração não significa um “apagão”, mas uma situação que se caracteriza tipicamente como sazonal. “A partir de agora, vai haver uma reação com os vestibulares”, prevê.

O corretor José Martinho Teixeira da Silva, membro do Conselho de Ética do Creci Bauru, diz que sentiu uma queda acentuada nos negócios com locação em junho e julho deste ano em comparação com o mesmo período de 2004. Por outro lado, ele comentou que, até o último mês de maio, registou um aumento de cerca de 10% em sua imobiliária.

Para o corretor Roberto Lima, o segmento de locação de imóveis residenciais está no mesmo patamar de 2004. Ele ressalta que tem conseguido manter a média de 15 a 20 imóveis locados a cada mês.

Os corretores citam como problema para o mercado de locação a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que exige que o fiador seja proprietário de dois imóveis. Se o entendimento da matéria pela Justiça se tornar uma norma, haverá certamente impacto negativo nos negócios. Cândia acrescenta que hoje mais de 90% das locações são fechadas com fiador. Martinho explica que a Constituição Federal determina que um fiador com um único imóvel não pode ter seu bem penhorado, em caso de inadimplência do locatário.

A exigência ainda não reflete no mercado, mas pode criar dificuldades. “Diante disso, para o mercado de locação, ficou mais difícil. Para arrumar fiador com um imóvel já é difícil. Agora, imagine com dois imóveis. Nestes dois últimos meses, foi ruim. Até maio estava melhor que o ano passado”, avalia Martinho. Cândia cita como reflexo a queda na taxa de desocupação como um sinal de que as pessoas estão preferindo permanecer no imóvel.

A corretora e subdelegada do Creci em Bauru, Wânia Pôrto, é mais cautelosa com relação aos efeitos da decisão do Supremo. Ela entende que a posição da Justiça é questionável.

Em relação à movimentação do mercado, a corretora comenta que o nível de locação está igual ao do ano passado.

Seguro-fiança

Porto ressalta que o seguro-fiança, alternativa ao fiador (leia mais abaixo), se apresenta como tendência para negócios no futuro. “Hoje, a maior parte das locações é com fiador tradicional. A tendência de mercado é direcionar o locatário para o seguro-fiança.”

Nesta modalidade, a pessoa faz um seguro, semelhante ao oferecido para outros bens, que garante aluguéis atrasados e reparos eventuais no imóvel. A diferença é que o locatário que opta pelo seguro-fiança paga o valor próximo a um aluguel. No caso de inadimplência, o seguro paga o locador pelo período cantratado (máximo de um ano).

Cândia ressalta que os locatários reclamam do alto valor do seguro-fiança, que tem que ser renovado anualmente. Ele esclarece que o preço do serviço afugenta tanto o locatário quanto as empresas e poucas imobiliárias de Bauru têm recorrido à modalidade. “Acredito que a tendência será o seguro”, projeta.

De acordo com levantamento feito diretor-escrivão do Cartório Distribuidor do Fórum de Bauru, Claudemir Jair da Silva, em julho foram efetuados 46 despejos de inquilinos por falta de pagamento e três por ações ordinárias.

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Seguro Fiança

Exigência

• SPC e Serasa: sem restrição de crédito

• Renda comprovada: 3 valores do aluguel

• Pagamento: à vista ou a prazo

• Cobertura: por até 1 ano

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