Economia & Negócios

Abertura das lojas no domingo movimenta o comércio à tarde

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

A experiência adotada ontem pelos comerciantes da área central de antecipar para o domingo o horário de funcionamento especial às vésperas de uma data comemorativa só conseguiu atrair os consumidores no período da tarde.

Ontem, as lojas da região central funcionaram das 9h às 18h como tentativa de antecipar as vendas do Dia dos Pais, que será no próximo domingo. Tradicionalmente, o comércio do Centro adota a sexta-feira à noite como horário especial de funcionamento antes de datas especiais (Dia dos Pais, das Mães, das Crianças), o que não acontecerá nesta semana, que terá horário normal.

O vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto Franco de Bernardis, o Kiko, diz que ainda não é possível avaliar os resultados da experiência de ontem, mas admite que o Calçadão só recebeu um bom número de consumidores no período da tarde.

Segundo ele, a AEC vai consultar os lojistas e os números do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para avaliar os resultados. Kiko, no entanto, adianta que “por observação” e nas conversas com os comerciantes, é possível avaliar o resultado como satisfatório, se comparado com as quatro horas extraordinárias da sexta-feira à noite de outras datas.

Para ele, porém, uma conclusão positiva já é possível notar. “Houve uma mudança de comportamento neste consumidor (do domingo), que veio fazer suas compras com calma e tranqüilidade, com tempo de sobra para passear, pesquisar e comprar”, analisa. “Até a fila nos brinquedos estava razoável”, constata, em referência às camas-elásticas instaladas em todas as quadras, com monitores, para divertimento das crianças.

Além disso, completa o dirigente, a experiência favoreceu o aparecimento de um consumidor com perfil diferenciado. “Tivemos hoje (ontem) aqui um comércio no ‘esquema família’, ao contrário do que acontece nas sextas-feiras à noite”, diz Kiko, numa referência ao grande número de jovens que se dirigem ao Calçadão no período noturno muito mais para passear e paquerar do que para consumir.

Mesmo antes das conclusões finais sobre o desempenho do comércio durante o domingo, Kiko vê a experiência como válida. “Se não ousarmos, não vamos descobrir o que é melhor. Outros centros já abrem aos domingos e não podemos perder espaço”, diz. “Se Bauru está precisando de empregos e é considerada um pólo regional do comércio, são ações como estas que vão limitar as demissões e proporcionar a abertura de novas vagas”, acredita.

Sobre eventuais reclamações de funcionários com o novo horário, Kiko lembra que o setor é regido por leis claras, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que devem ser cumpridas. “Sabemos que precisamos compensar o domingo trabalhado com uma folga na semana subseqüente. Está na lei e ponto final. Se alguma empresa não cumprir, aí sim devem entrar em cena o Ministério do Trabalho e o sindicato. Mas a maioria cumpre a lei”, garante.

Tranqüilidade

Os consumidores ouvidos pela reportagem foram unânimes em aprovar o funcionamento das lojas aos domingos ao invés da sexta-feira à noite. “À noite, nós já trabalhamos o dia todo e estamos cansados. No domingo, temos mais tempo para passear com a família”, diz a assistente social Maria Helena Barros, 42 anos.

Ela foi às compras ontem na companhia dos três filhos e também do marido, que “foi junto para escolher o presente”. Ela lembra ainda que a nova opção de horário evita que as compras sejam feitas “em cima hora”. “Achei ótimo e muito melhor que nas sextas-feiras”, completa.

Opinião semelhante tem a aposentada Maria Conceição Picolo, 56 anos, que foi às compras junto às filhas Vanessa e Maria Angélica - o marido que será presenteado, segundo ela, ficou em casa vendo futebol na TV. “A sexta-feira à noite é muito cansativa. No domingo dá mais tempo para comprar sossegada, com tempo para fazer pesquisa (de preço)”, avalia.

A filha da aposentada, porém, não aprova a possibilidade de se estender a todos os domingos a experiência realizada ontem. “Coitado, dos trabalhadores. Isso só deve acontecer nas vésperas dos dias festivos”, diz Maria Angélica.

Comentários

Comentários