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SBU pede prevenção, mas falta urologista

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) lança hoje a campanha “Chega de adiar. Consulte um Urologista”. De acordo com a SBU, enquanto a maioria das mulheres procura um ginecologista anualmente, apenas 10% dos homens vão ao urologista para avaliações preventivas. Além de ter que vencer os tabus em relação ao profissional, os homens ainda têm que lutar contra o difícil acesso ao especialista na rede pública de saúde.

É que a urologia, ao contrário da ginecologia, não é considerada assistência básica. As mulheres encontram ginecologistas em todos os postos de saúde, mas os homens não. Eles precisam de um encaminhamento do clínico-geral do posto para chegar ao urologista do Estado.

A médica da Secretaria Municipal de Saúde Jaíra Maria Rocco Kirchner explica que isso ocorre porque o Sistema Único de Saúde classifica a ginecologia como procedimento de atenção primária (essencial) à saúde. A urologia, no entanto, é classificada como procedimento especializado, restrito a poucas unidades.

“Se o paciente chega ao posto de saúde com queixas sugestivas de problemas urológicos, o clínico-geral é quem vai fazer o encaminhamento para o urologista de um serviço especializado”, reforça.

De acordo com o presidente da SBU, Aguinaldo Nardi, os homens ficam de fora da maioria dos programas federais voltados à saúde preventiva.

“Nós temos programas de prevenção ao câncer de mama, ao câncer ginecológico, programas de atenção às mulheres aprisionadas, às gestantes. Os homens só se encaixam nos programas voltados ao adolescente e ao trabalhador. O Ministério da Saúde tem uma Secretaria Especial da Mulher. A SBU está elaborando um projeto para que seja criada a Secretaria Especial do Homem”, salienta.

Campanha

Paralelamente, a SBU inicia hoje uma campanha de conscientização sobre a importância de se fazer consultas preventivas. Segundo Nardi, a proposta é informar para quebrar os tabus que cercam a consulta urológica.

Ele afirma que o medo de receber o diagnóstico de uma doença grave como o câncer, a vergonha de ter que se expor ao especialista e o preconceito em relação ao exame de toque retal estão entre os principais argumentos dos homens para não ir ao urologista.

“A expectativa de vida da população aumentou mais de dez anos na última década. Quanto mais o ser humano vive, mais suscetível ele fica às doenças (veja as principais abaixo). O acompanhamento médico periódico é fundamental para preveni-las ou tratá-las em fase inicial”, alerta.

É o caso do câncer de próstata. Nardi comenta que a chance de cura é de 85% quando o tumor é identificado no início. No entanto, dos 35 mil casos novos registrados no Brasil em 2003, 8.230 resultaram em morte - índice equivalente a 23,5% do total. O diagnóstico tardio faz do câncer de próstata a segunda causa mais freqüente de mortalidade entre os homens.

Além das doenças, propriamente, os homens também sofrem com as disfunções, como a dificuldade de ereção e a incontinência urinária. Apesar de não representarem ameaças à vida do indivíduo, as duas alterações prejudicam profundamente a qualidade de vida do homem. E há inúmeras possibilidades de tratamento para elas.

Para estimular a visita regular dos homens ao urologista, a SBU produziu um vídeo e folhetos com informações detalhadas sobre as principais doenças urológicas que afetam os homens. “O material será veiculado e distribuído em diversas instituições e estabelecimentos comerciais, como o Bauru Shopping e várias lojas do Calçadão da Batista de Carvalho”, informa.

A campanha será estendida até o dia 20 deste mês, com programações especiais previstas para o próximo domingo, Dia dos Pais. O evento ocorre simultaneamente em Bauru, São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Araçatuba e ABC Paulista.

• Serviço

O vídeo e os folhetos da campanha estarão à disposição da população no Bauru Shopping, estabelecimentos comerciais do Calçadão da Batista de Carvalho e em supermercados da cidade.

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Doenças mais freqüentes

Hiperplasia benigna da próstata

• Caracteriza-se pelo crescimento da glândula. Como ela circunda a uretra (canal por onde passa a urina), o indivíduo pode apresentar alterações como jato urinário fraco, sensação de que ainda há urina para sair, gotejamento no final, vontade urgente de urinar, necessidade de fazer força ao urinar. O problema afeta cerca de 50% dos homens com mais de 65 anos. O tratamento varia conforme a gravidade da obstrução, sendo que 15% dos pacientes precisam ser submetidos a cirurgia

Câncer de testículo

• Trata-se da neoplasia mais comum nos homens em idade reprodutiva. Estima-se que de cada 500 homens, um terá câncer de testículo. O diagnóstico precoce aumenta muito as possibilidades de cura, por isso, os médicos recomendam que se faça o auto-exame uma vez por mês: Depois de um banho morno, fique de pé em frente ao espelho e examine os testículos com as mãos; se encontrar um caroço ou perceber inchaço, procure um urologista

Andropausa

• Semelhante à menopausa da mulher, a andropausa é caracterizada pela queda na produção de hormônios masculinos, que pode acarretar dificuldade de ter ereção, diminuição da massa muscular, osteoporose, problemas de memória, cansaço exagerado, diminuição da libido. Estima-se que 3% a 4% dos casos de impotência ocorrem por alterações hormonais. O tratamento é a reposição desses hormônios

Câncer de próstata

• Estudos mostram que um em cada seis homens podem ter câncer de próstata ao longo da vida. Só no Estado de São Paulo, a doença mata cerca de 2,5 mil homens por ano. Descoberto no início, o câncer pode tem 85% de chance de cura. A melhor forma de diagnosticar a doença é pelo exame de toque retal, que apesar do desconforto, demora cerca de 10 segundos

Disfunção erétil

• Trata-se da dificuldade que alguns homens têm em obter ou manter a ereção. Pode ser causada por alterações hormonais, vasculares, neurológicas, medicamentosas ou psicológicas. Acomete homens em todas as faixas etárias, afetando seriamente a qualidade de vida. Dentre as opções de tratamento destacam-se terapia psicológica, medicamentos, reposição hormonal e o implante de próteses

Incontinência urinária

• Caracteriza-se pela perda involuntária de urina e pode manifestar-se em diferentes graus, desde o gotejamento ao tossir, rir ou fazer esforço, até o esvaziamento completo da bexiga. Pesquisas indicam que a disfunção afeta 5% da população. O tratamento pode ser medicamentoso, fisioterápico ou cirúrgico

Fonte: Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)

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