“Já cansados de ler algumas histórias de pescador que não terminam em pescaria, resolvemos contar a nossa, que realmente acaba em peixe. Costumamos sempre pescar eu, meu namorado Júnior e um casal de primos: Fernanda e Rafael. Aos poucos fomos descobrindo os dons da pesca, começando pelos pesqueiros e ganhando os grandes rios.
Como bons pescadores, bem cedo arrumamos nossas tralhas. O Rafa com a sua tralha especial, pois sua caixa era toda arrumadinha e suas varas, linhas e anzóis eram os de melhor qualidade, mas nada adiantavam, pois ele nunca pegava nada. Agora vamos explicar o porquê.
Um domingo bem cedo rumamos a Itapuí, nosso ponto predileto de pesca. Quando chegamos lá, uma grande surpresa: embaixo da ponte a água estava clara e parada, por isso, pudemos ver nitidamente um cardume de tilápias. Ficamos superfelizes e bem rapidinho já estávamos com vara e isca em mãos e com muita felicidade imaginávamos os muitos peixes que pescaríamos e a grande festa que faríamos quando retornássemos a Bauru com o isopor cheio de peixes.
Logo tratamos de jogar as iscas brigando para ver quem era o primeiro sortudo a tirar as tilápias da água (isso era às 9h). Cerca de dez minutos, meia hora e nada; a isca encostada na cabeça das belas tilápias, mas como era época de desova, elas nem se mexiam. Nós quase estávamos tendo um ‘treco’. Mais uma, duas, três horas e nada, o desânimo começou a bater, já passava das 6h da tarde e nada. Mas a paciência é a virtude do pescador.
Juntamos tudo no carro para ir embora, mas por insistência minha, nós fizemos a última tentativa e de repente uma fisgada... outra e outra, que surpresa! Valeu esperar o dia todo, não vencíamos tirar os peixes da água, era desesperador quando tínhamos que tirar o peixe e colocar a nova isca. Enchemos o isopor, era nossa melhor pescaria, nunca vimos tantos peixes em tão pouco tempo.
Nisso, nem demos conta que o nosso companheiro Rafa estava distante de nós cerca de 50m, do outro lado da ponte, contemplando paralisado um belo entardecer de verão, enquanto a correnteza levava o seu belo anzol sem isca com sua linha importada para bem longe.
Vencidos pelo horário, pegamos nossos ‘prêmios’ e entramos no carro, mas cadê o Rafa? Quase o deixamos para trás com toda sua maravilhosa tralha, acho que o sol o endoidou, pois ele preferiu ver a beleza do sol se pondo e sua linha de sei lá quantos metros sendo levada para bem longe...”
Talita de Paula Grandi é pescadora e contadora de histórias