“Se neste ano vender o mesmo do ano passado já está bom”. Com esta frase, o gerente de uma loja na quadra 4 do Calçadão da Batista de Carvalho, José Fernandes Júnior, resume as expectativas dos lojistas com as vendas por ocasião do Dia dos Pais, comemorado hoje.
Uma das razões apontadas como motivo para pouca euforia este ano é a data - festejado sempre no segundo domingo do mês de agosto, o Dia dos Pais deste ano caiu na metade do mês.
“Esse ano, (o Dia dos Pais) não caiu numa data legal”, lamenta Miguel Antônio do Prado, gerente de uma loja na quadra 7 do Calçadão. Como muita gente deixa para comprar o presente no último dia, quando percebe vê que o mês já está na metade e sobrou pouco dinheiro para gastar.
Prado lembra que no ano passado o Dia dos Pais caiu no dia 8, quando muitos trabalhadores estavam com dinheiro no bolso por causa do pagamento. “Hoje, (o movimento) está fraco. No ano passado foi melhor”, compara Yoshi Miazato, gerente de uma relojoaria, no Centro. Ela também acredita que a data do Dia dos Pais deste ano influenciou negativamente nas vendas.
Embora não estivesse muito satisfeito com as vendas ontem, Fernandes não vê na data um motivo para a queda no consumo. “A data não atrapalha. Os consumidores apenas anteciparam as compras”, disse ele, referindo-se ao bom volume de vendas obtido no domingo passado, quando boa parte das lojas do Calçadão ficou aberta o dia todo.
Ele contou que a sandália masculina e o tênis são os presentes preferidos dos filhos este ano. Segundo o gerente, o tênis está ganhando cada vez mais espaço. “No Dia das Mães foi a mesma coisa”, disse ele, alegando que as caminhadas “estão na moda”.
Mas outras opções também tiveram boa saída. Gerente de uma loja especializada em roupa masculina, Prado apontou a camisa de manga curta e a calça social como os campeões de vendas este ano. Quanto às formas de pagamento mais utilizadas pelos consumidores, é fácil concluir, em um rápido levantamento, que estão bem divididas. “Está meio a meio. Metade prefere pagar à vista e os demais dividem em prestações”, informou Fernandes.
A maior parte dos pagamentos à vista, segundo ele, é feita na aquisição de produtos que estão em promoção. O mesmo acontece também em outras lojas no Centro da cidade. Yoshi, a gerente da relojoaria, confirmou a tendência. O mesmo foi feito pelo gerente Prado. Ele revelou ainda que as compras com cartão de crédito representaram grande parcela das negociações.
Em cima da hora
Ontem, muitas pessoas confirmaram a fama do brasileiro de deixar tudo para a última hora. Um passeio pelo Calçadão da Batista era suficiente para constatar o quanto essa afirmação era verdadeira.
Enquanto alguns justificavam falta de tempo, outros diziam que faltou dinheiro para comprar o presente para o pai antes. Foi o caso da estudante Jéssica Gabriele Floriano, 14 anos, que foi às compras ontem à tarde na companhia da amiga Patrícia Garcia, também de 14 anos.
“Não comprei antes porque só recebi hoje o dinheiro”, comentou, carregando um pacote com uma camisa para o pai. Na opinião dela, no ano passado havia mais ofertas, mesmo assim não achou os preços exagerados. Já Patrícia, a amiga, estava gostando do preço e cogitava até mesmo a possibilidade de comprar um segundo presente para o pai.
A pedagoga Lilian Blanco Machado, 26 anos, também achou os preços acessíveis, mas lamentou o fato de não encontrar promoções do presente que ela procurava. “Tem bastante camisas e calças em promoção. Ou seja, os presentes mais básicos. Mas meu presente eu não consigo encontrar”, lamentava ela, à procura de uma mala para viagem.
Como trabalha durante o dia e estuda à noite, Lilian disse que não havia comprado o presente antes por falta de tempo. O mesmo problema foi alegado por Amanda Araújo, 14 anos, que fazia compras no Calçadão ao lado da mãe Ivana Araújo, 39 anos.
Ela contou que estuda durante o dia e não tem tempo para ir às lojas. “Espero que o meu pai goste do presente”, comentou Amanda. A mãe, no entanto, acredita que o desejo da filha será atendido. “Ela pode errar no número, mas com certeza o pai vai gostar do presente”, adiantou a mãe. Afinal de contas, depois de 20 anos vivendo junto era de se esperar que ela soubesse o que agrada o marido. “Pelo menos, a gente acha que sabe”, brincou.