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Fotojornalista alerta para banalização da imagem

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 1 min

Assim como a máquina convencional, o uso da câmera digital exige ética e profissionalismo, defende a fotojornalista e professora de fotografia da Universidade do Sagrado Coração (USC) Joyce Guadagnucci. Segundo ela, é preciso tomar cuidado com as informações transmitidas pelas imagens dentro do contexto jornalístico.

“Qualquer pessoa pode aprender a técnica, mas é a linguagem que difere o fotógrafo profissional do amador. A fotografia está no olhar, vem de dentro para fora. Há algumas pessoas, por exemplo, que trabalham em jornais ou revistas da região e, às vezes, pegam uma câmera digital sem ter noção do que seja uma linguagem fotojornalística”, explica Joyce.

Outro ponto levantado pela fotojornalista é sobre a qualidade do trabalho produzido com equipamentos digitais e analógicos. “Talvez as câmeras mais potentes, com 11 ou 12 megapixels, atinjam a qualidade, mas ela ainda não se compara à do filme convencional. Há profissionais da área de publicidade, por exemplo, que não aceitam muito bem o processo digital”, destaca.

Outra discussão motivada pela fotografia digital é relacionada ao trabalho produzido com as câmeras analógicas. Joyce explica que muitos questionaram sobre o final da pintura, com a popularização da máquina Brownie, da Kodak, em 1900. “Todos diziam: ‘a pintura vai acabar’. E isso não aconteceu, pelo contrário, vieram os movimentos de vanguarda artística maravilhosos”, aponta.

“Quando a revelação cor chegou, as pessoas também pensavam que o preto-e-branco iria chegar ao fim. E a mesma coisa com a foto digital. São períodos turbulentos profissionalmente”, detalha a fotojornalista.

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