A Universidade de Michigan fez uma pesquisa para medir a influência do conteúdo sexual da televisão nos jovens. E, ao contrário do que se pensa, a nudez, o visual sexual tem menos importância do que o conteúdo verbal, que se vê na TV, por exemplo. O cientista Laramie Taylor entrevistou cerca de 200 estudantes universitários com idade entre 18 e 26 anos. Grupos formados aleatoriamente assistiram clipes com conteúdo sexual na forma visual, verbal e sem conteúdo sexual. Depois, os alunos responderam um questionário sobre suas atitudes e crenças sexuais.
Os videoclipes usados provieram de seis programas bem sucedidos nos Estados Unidos (aqui também): “Friends” (NBC), “Just Shoot Me” (NBC), “Ally McBeal” (FOX), “That ’70s Show” (FOX), “The Simpsons” (FOX) e “Dawson’s Creek” (FOX). A primeira constatação dos cientistas foi que as pessoas que vêem o conteúdo da televisão como realístico foram influenciados pelo conteúdo sexual da programação. Quanto maior a percepção realística, mais permissivo depois de assistir televisão com conteúdo sexual. Já os participantes que não percebem o conteúdo da televisão como realístico não foram afetados significativamente pelas mensagens sexuais. Não perceber a TV como realística torna imune o expectador contra as influências. A pesquisa demonstrou que as crenças sobre atividade sexual foram influenciadas pelo conteúdo verbal.
Isso talvez explique a permissividade que nossa sociedade vive, minada por uma ideologia materialista e hedonista dos meios de comunicação que semeiam a corrupção das virtudes, a apologia aos vícios e o resultado esperado, a violência. Fica a descoberta do estudo como um alerta para que as autoridades, os pais e os professores fiquem atentos aos programas, revistas, livros e músicas que nutrem nossos jovens. Em suma, se vimos mais um aspecto que “o meio forma o homem” ou que “o homem é produto do meio”, não podemos esquecer que quem faz o meio somos nós, todos nós. Assim, cada um de nós é responsável e a Igreja talvez seja o último bastião da moral e da ética na nossa sociedade. Portanto, se quisermos uma sociedade melhor, se quisermos o bem para nossos filhos, devemos levar nossos filhos à igreja e participar para dar exemplo.
O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista do Inpe