Crianças de até 5 anos de todo o País estão sendo convocadas para tomar hoje a segunda dose da vacina contra pólio deste ano. Graças às gotinhas, o Brasil não registra casos novos da doença desde 1989. Mas o vírus ainda existe. Mais de 1.000 pessoas foram contaminadas no mundo só este ano e o número de casos novos está aumentando. Em Bauru, a meta de vacinação não é atingida há três etapas.
O alerta é da Organização Mundial de Saúde (OMS). Até o último dia 16, o órgão internacional registrava 1.053 casos novos de pólio. Os países mais afetados pela paralisia infantil são Iêmen (415 casos), Nigéria (325 casos) e Indonésia (219 casos).
Segundo a OMS, a Indonésia não tinha casos da doença desde 1995, ano da primeira campanha de vacinação em massa naquele País. Mas a campanha foi descontinuada e o vírus causador da doença voltou a se manifestar depois da devastação causada pelas ondas gigantes (tsunamis), em dezembro de 2004.
Para os especialistas, é mais um forte motivo para que os pais levem seus filhos menores de 5 anos para receber a segunda dose da vacina. “Vamos reforçar a vitória, Brasil”, é o slogan do Ministério da Saúde para esta segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Pólio, que comemora 25 anos de luta contra a doença no País.
O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, destaca que nenhum País pode se considerar seguro, enquanto não houver a erradicação global do vírus. E a vacinação é a única forma eficaz de se prevenir a contaminação.
Sob risco
Na primeira etapa da campanha, somente 88% da população estimada entre 0 e 5 anos foi vacinada em Bauru. Isso significa que pelo menos 3 mil das 25,8 mil crianças nesta faixa etária podem estar desprotegidas contra o vírus causador da paralisia infantil na cidade. No ano passado, a meta de 95 de imunização não foi atingida nas duas etapas.
De acordo com a enfermeira da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município, Solange Nardo Marques Cardoso, a Secretaria Municipal de Saúde está fazendo todo o esforço possível para aumentar a cobertura vacinal nesta segunda etapa.
“A vacinação é uma forma de bloquear a transmissão da doença. Porque se o vírus ainda existe no mundo, ele pode ser trazido para cá por um turista, por exemplo. Se as pessoas estiverem imunizadas, a doença não se propagará. No entanto, se não estiverem, elas podem ser contaminadas”, salienta.
Segundo Cardoso, para facilitar o acesso da população, a Secretaria Municipal de Saúde aumentou o número de pontos de vacinação em relação à primeira etapa da campanha. Mais cinco postos fixos foram disponibilizados (totalizando 27), além de seis equipes volantes que visitarão hospitais e atenderão as crianças da zona rural (confira postos ao lado).
Outra medida vem da Secretaria Municipal de Educação, que cedeu três ônibus para o transporte gratuito de crianças carentes moradoras em bairros que não têm postos de saúde. Os ônibus sairão de hora em hora da do Jardim Tangarás (Associação de Moradores), Jardim Nicéia (ponto de ônibus convencional) e Ferradura Mirim (Casa Amoros).
Os postos fixos vão funcionar das 8h às 17h. Todas as crianças menores de 5 anos devem receber a vacina, mesmo as que apresentarem gripe, diarréia e rinite. Em caso de dúvidas, os pais devem consultar os profissionais presentes à unidade.