Ser

‘Baby boom’

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Na comédia “Nove Meses”, o terapeuta infantil Samuel, interpretado por Hugh Grant, fica muito abalado ao saber que Rebecca (Julianne Moore), sua companheira há cinco anos, está grávida. Paranóico com a paternidade, ele passa a se afastar cada vez mais da esposa, que, por sua vez, entra em crise emocional.

Mas ao ver a ultra-sonografia, Samuel se apaixona pelo bebê e pede perdão à amada. Ela o perdoa e, a partir de então, passam a vivenciar a experiência única de serem pais e constituírem uma família.

Como no filme, na vida real, a chegada do primeiro filho pode acarretar muitas mudanças na vida conjugal. A forma como o casal vai desempenhar esse novo papel, de pai e mãe, vai depender muito das condições psicológicas e emocionais de cada um, explica a psicóloga Marlene Marchi de Sousa, mestre em psicologia clínica e especialista em terapia de casais e família.

“O nascimento de um filho deve ser vivenciado como um momento mágico e de plenitude, quando o casal sente-se preparado e amadurecido para essa experiência única. Juntos, ele podem compartilhar alegrias, ansiedades, medos e inseguranças”, diz Marlene.

“É importante que o casal que decide ter filhos tenha a clara compreensão que esse é um projeto que envolve compromisso, cuidado e responsabilidade para vida toda. Mesmo que o filho chegue de forma inesperada, esse será um momento de reorganização e redirecionamento dos planos do casal”, acrescenta a psicóloga.

Pais “de primeira viagem”, a assistente administrativa Elenice de Oliveira, 31 anos, e o profissional liberal Fernando Gaspar, 26 anos, não contêm a emoção ao falar do primeiro filho, Arthur, de 2 meses. Embora não tenha planejado a gravidez, Elenice conta que a chegada do herdeiro trouxe amadurecimento e fortalecimento à vida conjugal.

“O Arthur é um presente, uma benção. Ele veio para acrescentar. Eu e o Fernando ficamos mais unidos com sua chegada”, diz ela. “Estamos curtindo todos os momentos, até as birrinhas e manhas dele”, revela, enquanto tentava conter o choro do pequeno na manhã da última segunda-feira.

Quando o choro é “noturno”, é a vez de Fernando cuidar de Arthur. “Ele é um ótimo pai, troca a fralda, faz ninar, só não deu banho ainda”, brinca ela.

‘Primeiros-socorros’

A divisão de tarefas, em especial para os pais de “primeira viagem” é essencial para evitar desgaste físico e emocional de uma das partes.

O livro “Dicas Para Pais de Primeira Viagem”, de Simon Brett, lançado recentemente pela Publifolha, reúne sugestões rápidas e divertidas sobre a “difícil” tarefa de cuidar de um bebê. Entre elas, ensina o que um novo pai deve ou não dizer às mamães, ou ainda como ser um companheiro ideal durante a gravidez.

Como aponta o livro, diálogo e companheirismo também são ingredientes básicos do casamento da assessora administrativa Ana Cristina Maia de Oliveira, 31 anos, e do policial militar Renato Gomes de Oliveira, 38 anos. Com muita ansiedade, eles aguardam o nascimento de Renato, programado para o próximo mês.

“Estamos juntos há nove anos e nosso bebê foi planejado. Acreditamos que o momento certo é agora”, revela Ana. Consciente das mudanças que irão ocorrer no cotidiano do casal, ela afirma que ambos contam com o longo tempo de casados para ajudar na chegada do bebê. “Isso facilita, não apenas em relação à estrutura emocional mas à financeira. A gravidez é uma mudança grande, principalmente para a mulher. Eu nunca me vi antes com um bebê, sem essa preparação e expectativa”, diz.

Entre as principais mudanças na rotina de Ana está a distância de Renato, que trabalha atualmente em São Paulo e só volta aos finais de semana. “No primeiro mês minha mãe dará uma força. Depois, quando voltar da licença-maternidade, o neném ficará na creche durante o dia. Mas à noite terei que dar conta sozinha”, diz.

Habituados a freqüentar os cinemas durante os finais de semana, Ana conta que essa atividade de lazer será interrompida por um tempo. “Sábado, eu e o Renato saímos e conversamos sobre isso. Vamos mudar esse hábito, por exemplo, mas faz tempo que gostaríamos de fazê-lo. Estávamos muito acostumados, em casa, a vivermos só nós dois. Estamos na expectativa em como vai ser com um neném”, aponta.

Divisão de tarefas

Grávida de 6 meses, a assistente administrativa Cíntia Sawao Konda Inoue também revela ansiedade com a chegada da pequena Heloísa. Casada há seis anos com o engenheiro elétrico Roberto Inoue, ela conta que o bebê foi cuidadosamente planejado.

“Estamos adorando o fato de sermos pais e torcendo para que tudo dê certo”, diz ela. “A Heloisa só acrescenta à nossa relação. No começo ela vai requerer uma atenção maior e isso será muito gostoso”, completa.

Além de investir em doses extras de diálogo, carinho e amor, o casal também aposta na divisão das tarefas domésticas e com a criança para não sobrecarregar Cíntia. “Meu marido sempre me ajudou bastante e acho que isso nunca será problema”, observa ela.

A atitude também é adotada na casa de Ana e Elenice. “O tempo todo em que o Renato está aqui, me ajuda e colabora, ainda mais quando engravidei”, conta Ana. “O Fernando me ajuda bastante. Ficamos mais unidos depois do nascimento do Arthur”, concorda Elenice.

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