Escrevo, uma vez mais, para esse jornal por sabê-lo de sua grande penetração. Embora não tenha a convicção de que esta matéria venha a merecer a atenção de todos quantos eu gostaria, mesmo assim não posso conter meu desabafo.
Não dá para agüentar mais a situação política de cinismo e hipocrisia que temos sido obrigados a aturar! As explicações do presidente da República são pífias, as inconsistências de seu partido são óbvias e, assim mesmo, muitos ainda se dão ao desplante de aceitar essa enxurrada de mentiras infantis.
Infelizmente, chegou aquele momento preconizado por Ortega y Gasset em que o homem vulgar, antes dirigido, passa a governar o mundo; em que o homem médio encontra em si mesmo uma sensação de domínio e triunfo; em que esse mesmo homem acha bom e completo seu haver moral; em que intervirá em tudo, impondo sua vulgar opinião, sem considerações, contemplações, trâmites nem reservas...
As minorias dirigentes, como escreveu o ensaísta espanhol, soltaram o leme da História, deixaram de estar alerta e a vida se lhes escapou das mãos. Por isso, o vazio de projetos, de ideais, de preocupações.
Não será tarde demais? Temo estarmos atravessando aquela 25.ª hora, da qual falava Virgil Gheorghiu. Aquela em que toda a tentativa dos socorros a náufragos é vã. Não é a última hora, é uma hora depois da última para a qual não há mais salvação ou saída! Mesmo o advento de um messias não resolveria nada!
Dr.ª Maria da Glória de Rosa