Rural

Bauru não explora potencial para cana, dizem especialistas

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru possui as características ideais para a produção de cana-de-açúcar, somando qualidade do solo, infra-estrutura para abrigar uma usina sucroalcooleira e o potencial logístico inerente à sua condição de cidade situada no centro do Estado de São Paulo. Contudo, toda essa potencialidade não está sendo aproveitada num momento em que a área plantada com cana só aumenta na região, no Estado e no País em função da crescente demanda por álcool.

Para o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, “Bauru é uma ilha” neste cenário. O produtor e presidente do Sindicato Rural de Barra Bonita, Edison José Ustulin, diz que Bauru é a cidade ideal para abrigar uma usina.

“Cana-de-açúcar, madeira e laranja são os potenciais agrícolas de maior viabilidade no Estado. A laranja está passando por dificuldades terríveis com pragas e quedas de preço. A pecuária, que é forte na nossa região, passa por um momento péssimo. A cana aparece como um salva-vidas para a economia agrícola. Com a alta do preço do petróleo, a cana é a bola da vez para a geração de álcool combustível, entre outras características”, destaca Lima Verde.

Na região, os principais produtores são Barra Bonita, Jaú, São Manuel, Lençóis Paulista e Presidente Alves.

A previsão de empresários e técnicos do setor sucroalcooleiro é de que nos próximos cinco anos a demanda brasileira exigirá que o País salte de uma produção anual de 16,7 bilhões de litros de álcool combustível para cerca de 27 bilhões a 30 bilhões de litros. Isso significa ocupar mais 3 milhões de hectares com cana-de-açúcar - atualmente são 6 milhões.

Biodiesel

Para a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), se o Brasil implantar um programa de biodiesel vai se tornar uma potência energética. O País tem tecnologia abundante para a produção de etanol. José Carlos Ustulin observa que a safra 2005/2006 de cana-de-açúcar foi calculada em 401,5 milhões de toneladas (o equivalente a 89,2% do total produzido no Brasil). Desse montante, 341,8 milhões de toneladas (85%) serão colhidas pela região Centro-Sul, sendo que 242 milhões de toneladas referem-se ao Estado de São Paulo.

“Em São Paulo há 150 usinas funcionando e outras 50 estão sendo construídas (no País). Estima-se que pelo menos mais 100 usinas devem ter projetos para breve. Para poder produzir com resultados econômicos razoáveis, cada usina precisa ter de 15 mil a 20 mil alqueires de cana plantados. Então, há uma verdadeira corrida dos empresários, principalmente do Norte do País, à procura de área para plantar cana. Já existe, inclusive, a idéia de construir uma usina em área próxima ao Pantanal”, detalha o vice-presidente da Faesp.

Vantagens

Segundo Lima Verde, 70% da área do município de Bauru é rural. Como proprietário rural, ele afirma que só vê vantagens na produção de cana-de-açúcar. Ela degrada pouco o solo, tira oxigênio do ar, o período de plantio é a cada quatro anos e, se a plantação estiver situada num raio de até 50 km de uma usina, o produtor terá suas vendas garantidas.

Além disso, segundo Ustulin o consumo per capita de açúcar está aumentando no mundo todo e o bagaço da cana ainda pode ser utilizado na geração de energia e reaproveitado para aumentar a produção.

“A demanda (por álcool) é imensa. Portanto, temos um fato econômico que, queira ou não, vai nos atingir. Os empresários estão ávidos por cana-de-açúcar e Bauru, além de ter muita área disponível, tem tudo para abrigar uma agroindústria do setor. Para instalar uma usina e ela começar a produzir, é um processo que leva cerca de três anos. Mas infelizmente, não vemos uma mobilização em torno do assunto na cidade. Estamos perdendo tempo”, enfatiza Lima Verde.

A secretária municipal da Agricultura, Maria Eugênia Gracia, concorda que a cana-de-açúcar está num “bom momento” e admite ser “interessante” a instalação de uma usina sucroalcooleira na cidade. Contudo, diz que é difícil para o poder público trabalhar sozinho e que não tem percebido um interesse pelo assunto por parte dos empresários. “A preocupação do poder público é oferecer oportunidades para todos. Acho que a vinda de uma usina para Bauru é algo que acabará acontecendo, mas seria interessante trabalharmos junto com a inicitiva privada.”

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