O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru tem registrado reclamações de consumidores insatisfeitos com o aumento verificado no intervalo de leitura dos hidrômetros. No lugar dos tradicionais 30 ou 31 dias, parte das faturas de agosto foi calculada tendo como base um período maior de tempo, fato que provocou aumento no valor da tarifa em alguns casos.
O aposentado José Ricardo Siqueira Silva gastou, em média, 14,4 metros cúbicos de água ao longo dos últimos 12 meses. Em agosto, porém, ele utilizou 16 metros cúbicos. “Notei que o período abrangido pela leitura era anormal, já que se referia a 36 dias de consumo”, observa.
Silva verificou, ainda, que o leiturista errou na medição, contabilizando 21 metros cúbicos. Dessa forma, o aposentado migrou da terceira para a quarta faixa de consumo da autarquia, que prevê um valor maior para a tarifa. “Procurei o DAE e eles sanaram o problema, emitindo uma nova conta”, relata. Caso não tivesse percebido o equívoco, ele teria que arcar com um prejuízo de R$ 11,91.
A assessoria de imprensa do DAE explica que o prazo de leitura varia de 20 a 33 dias. A autarquia argumenta que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos está promovendo ajustes no sistema desde que assumiu a medição de hidrômetros e que, por isso, agosto tem sido um mês atípico.
Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do DAE, a estatal federal modificou parte do mapa de leitura que era adotado pela autarquia, fato que fez com setores da cidade fossem medidos com um intervalo maior de dias. A partir de setembro, porém, a previsão é que o período normal seja restabelecido.
O DAE esclarece que os consumidores podem pedir a revisão da fatura caso suspeitem que o período maior de medição provocou aumento no valor da conta. Para isso, devem comparecer ao balcão do serviço de receita da autarquia, na rua Padre João, 11-25. Outra opção é fazer a solicitação pelo e-mail receita@ daebauru.com.br ou pelo telefone (14) 3235-6156.
Em todos os casos, porém, é necessário que o consumidor informe o código do imóvel, localizado no canto superior direito da conta, além da leitura do hidrômetro. Devem ser considerados apenas os números pretos do equipamento.
O DAE terceirizou a leitura de hidrômetros, impressão das faturas e entrega da contas em maio, mas os Correios assumiram efetivamente o serviço no último mês. A estatal federal receberá R$ 1,30 por unidade. O contrato vem sendo questionado por alguns vereadores, já que foi assinado sem licitação.
A autarquia argumenta que não realizou concorrência pública porque os Correios detêm o monopólio postal no País. Diante disso, não haveria outras empresas que pudessem fazer a entrega da fatura. Há municípios que optaram pela licitação, mas a estatal garante que tem questionado todos esses contratos na Justiça.