Bairros

Vítima abandona residência no dia seguinte ao trauma

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 1 min

Em algumas situações, o trauma causado a vítimas da criminalidade é tão agudo que a decisão de deixar o local que foi palco da ação de marginais pode acontecer imediatamente. A auxiliar odontológica Suzana Campos, 32 anos, não esperou um dia sequer para abandonar um conceito de moradia que ela preferia (casa térrea) por outro não tão apreciado (apartamento).

Ela conta que em setembro do ano passado a casa onde morava há apenas dois meses com seu filho adolescente, na Bela Vista, foi assaltada por ladrões que levaram quase todos os bens de valor da família, como computador, videocassete, aparelho de som, videogame, CDs e a televisão.

Segundo Campos, ao voltar da escola na hora do almoço, o filho encontrou as janelas abertas e percebeu que os ladrões ainda estavam na casa. “A idéia de que meu filho encontrasse com bandidos me traumatizou. Não tenho mais coragem de morar em casa”, confessa, apesar de considerar a moradia térrea mais agradável. “Dá mais privacidade que apartamento, posso ter animais, receber amigos com mais tranqüilidade”, enumera.

Mesmo assim, a auxiliar odontológica não retornou ao imóvel após o assalto, a não ser para verificar o que sobrara. Ficou provisoriamente instalada na casa de um parente e, uma semana após a ocorrência, já havia alugado um apartamento num condomínio fechado no Jardim Cruzeiro do Sul.

Apesar de admitir que a mudança inesperada, associada aos prejuízos da assalto, abalou as finanças da família (custo da transportadora, aluguel antecipado, taxa de condomínio), Campos é enfática ao afirmar que “jamais voltará para uma casa”. “Havia facas espalhadas por todas a casa após o assalto. Meu filho também gosta de morar em casa térrea, mas nós ficamos com muito medo”, justifica.

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