Economia & Negócios

Carros flex aumentam vendas de álcool

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O sucesso dos carros flex - com motor bicombustível - e a diferença em torno de R$ 1,10 no preço médio do litro do álcool e da gasolina estão resultando num aumento de até 30% das vendas de álcool combustível em postos de Bauru. A reportagem ouviu vários comerciantes do setor, chegando a uma amostragem total de 30 postos.

Os carros flex, que rodam com gasolina, álcool ou a mistura de ambos, responderam por 61,7% das vendas de automóveis e comerciais leves em agosto, o maior índice desde o início das vendas de veículos com esse tipo de motor, no primeiro semestre de 2003. No ano, os tipo flex respondem por 45,1% das vendas totais do mercado, ou 471,5 mil unidades.

O empresário Edvaldo Tuschi, proprietário de oito postos de combustíveis em Bauru, diz que, de janeiro a agosto deste ano, o volume de vendas de álcool subiu cerca de 22% na média entre todos os estabelecimentos administrados por ele.

“O aumento do número de carros bicombustível circulando pela cidade é o principal motivador do crescimento das vendas de álcool. Mas o rabo-de-galo (mistura de álcool e gasolina) também tem sido muito utilizado por pessoas que têm carro a gasolina. Como o álcool está bem mais barato, muita gente coloca 60% ou 70% de gasolina e o restante de álcool para economizar. Mas eu não sei o que isso pode ocasionar ao motor de um carro que não é flex, sem falar que o consumo é maior”, diz Tuschi.

Atualmente, o preço do litro do álcool em Bauru gira em torno de R$ 1,17, R$ 1,19. Já a gasolina, cerca de R$ 2,27 a R$ 2,29. Contudo, ontem a Petrobras anunciou reajustes de 10% no preço da gasolina e 12% no diesel. Os novos valores passam a vigorar hoje e devem chegar aos consumidores na medida em que os postos receberem produtos com os novos preços. Estima-se que o impacto do reajuste nas bombas seja em torno de 7% na gasolina e de 10% no diesel.

Segundo Tuschi, o aumento das vendas de álcool ajuda o comerciante a ter mais capital de giro para investir no negócio. “Não há grandes vantagens além dessa, porque a nossa margem de lucro (cerca de R$ 0,22) com a venda de álcool é menor do que a de gasolina (R$ 0,30)”, analisa.

Outro comerciante do ramo, Wagner Siqueira, afirma que, entre os três postos que possui em Bauru, o aumento das vendas de álcool de janeiro a agosto varia de 20% a 30%, dependendo do estabelecimento. Ele tem postos no Mary Dota, Vila São Paulo e na avenida Nuno de Assis.

“Além da maior quantidade de carros flex, os carros com injeção eletrônica agüentam mais o rabo-de-galo do que os que são carburados, e muita gente tem carro com injeção. Nos meus postos, a venda de gasolina caiu cerca de 15% nos últimos seis meses”, afirma.

Sérgio Luiz Ferreira, diretor comercial de uma rede que administra 14 postos na cidade, diz que, de agosto de 2004 a agosto deste ano, as vendas de álcool nesses estabelecimentos cresceu numa média de 5%, o que corresponde a 40 mil litros a mais.

“Entre as pessoas que têm carro flex, acredito que cerca de 98% delas abastecem o veículo somente com álcool. A diferença de preço na comparação com a gasolina leva a essa situação, sem dúvida nenhuma.”

Émerson Gomes se encaixa exatamente na realidade apontada pelo diretor comercial Sérgio Ferreira. Desde que comprou seu carro bicombustível, há dois meses, só encheu o tanque com álcool. “Eu escolhi um carro flex justamente para poder economizar com combustível, porque a gasolina está muito cara. Estou muito satisfeito com os resultados”, conta Gomes.

Outro comerciante do ramo de combustíveis consultado pela reportagem, que preferiu não ser identificado, também confirma o aumento das vendas de álcool. De janeiro a julho deste ano, o volume de álcool comercializado em cinco postos correspondeu a 12,3% do total das vendas. No mesmo período do ano passado, o índice foi de 10%.

De janeiro a agosto deste ano, as vendas de álcool subiram 36,97% na média entre os cinco postos. No período, houve também um crescimento significativo, de 14,13%, nas vendas da gasolina supra.

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