As crianças das tribos terenas e guaranis são privilegiadas. Têm escolas dentro da aldeia e aprendem duas línguas ao mesmo tempo. Na aldeia Ekeruwá são 34 crianças que freqüentam a escola e falam português e a língua-mãe, o terena.
Zélia Luiz é a professora de 3.ª e 4.ª série da aldeia. Ela explica que as crianças têm mais facilidades para falar o português. “Por isso a gente está fazendo esse resgate da língua materna. Durante muito tempo os terenas deixaram a língua materna de lado.â€
Há seis meses ela começou a dar aulas. “Faz seis meses que estou nesse trabalho. Sempre falei em terena. Fui criada pela minha avó que não fala em português, só na língua terena, mas nem todas as famílias fizeram o mesmo com seus descendentes e muitos esqueceram.â€
A meta, de acordo com a professora é que todos falem a língua terena. “Queremos manter a cultura, então aplicamos a língua em todas as atividades. Se eles vão jogar bola, por exemplo, incentivamos que eles falem na língua terena.â€
Durante as aulas, a professora usa a língua materna na maioria das matérias. “Uso para tudo. Quando o aluno chega atrasado e quer entrar na aula, exijo que ele peça permissão em terena.â€
Nas aulas de matemática, geografia e história, o uso de palavras indígenas é uma constante. “Começo a aula em língua terena. Todas as palavras do português que têm tradução são utilizadas.â€
As aulas bilingües incluem a escrita e a leitura, explica a professora. “Nossa acentuação é diferente e para que as palavras sejam pronunciadas corretamente é preciso ter atenção com a acentuação.â€